
BRASÍLIA - Não se sabe se traído pela emoção, pela idade, ou pela confiança na prática dos acordos firmados antes, o agora ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), em seu longo discurso de despedida saudou Renan Calheiros (PMDB-AL) como o novo presidente da Casa antes mesmo do início da votação. Chorando, Sarney fez um balanço dos 58 anos de mandato legislativo, elencando medidas que disse ter tomado para modernizar o Senado, e aproveitou ainda para exaltar a figura do companheiro como grande legislador. (Veja aqui o momento em que Sarney se emociona)
- Quero saudar o nosso novo Presidente da Comissão Diretora, senador Renan Calheiros. Trata-se de uma das mais expressivas lideranças de nosso partido, que desde cedo tem assumido enormes responsabilidades e delas se desempenhado alinhando a capacidade de ouvir com a de tomar decisões - saudou Sarney. - Sua eleição para presidente da Casa mostra a confiança de seus pares e nos dá a garantia de um mandato em que o Senado Federal seguirá seu caminho de transparência e equilíbrio democrático. Meus votos de êxito em suas tarefas - disse Sarney, e só depois começou a distribuir as cédulas de votação.
- Quero saudar o nosso novo Presidente da Comissão Diretora, senador Renan Calheiros. Trata-se de uma das mais expressivas lideranças de nosso partido, que desde cedo tem assumido enormes responsabilidades e delas se desempenhado alinhando a capacidade de ouvir com a de tomar decisões - saudou Sarney. - Sua eleição para presidente da Casa mostra a confiança de seus pares e nos dá a garantia de um mandato em que o Senado Federal seguirá seu caminho de transparência e equilíbrio democrático. Meus votos de êxito em suas tarefas - disse Sarney, e só depois começou a distribuir as cédulas de votação.
Com sua esposa dona Marli, e dona Verônica, esposa de Renan, na tribuna de honra, Sarney embargou a voz e chorou ao falar de como dedicou sua vida à política:
- Disse Lincoln: 'Nunca cravei, por meu desejo, espinho algum no peito de ninguém'.
Na sua despedida, Sarney defendeu a volta do parlamentarismo, fez críticas ao presidencialismo e à grande concentração de poderes da União, incorporando sempre mais poderes e centralizando progressivamente mais decisões.
- Isso, em termos de futuro, é um gérmen de secessão que nossa geração, que recebeu o país íntegro, não pode legar às gerações que virão - disse Sarney. - Para alcançarmos a plenitude democrática, acredito que devemos marchar para o sistema de governo parlamentarista, que prevalece nas mais importantes democracias. São sonhos que continuam abertos ao debate nacional - defendeu.
Sobre as críticas ao Senado e denúncias que o colocaram no centro de escândalos na Casa, Sarney disse que o Parlamento sofre hoje, em todo o mundo, críticas da mídia e incompreensão da sociedade.
- Isso acontece pelo descompasso entre o tempo legislativo e a velocidade da comunicação em tempo real - disse.
E também deu sua interpretação sobre a Ética:
- A verdadeira ética não é parecer e sim ser. É um estado de conduta, é uma visão cristã do agir correto e ter a paz interior.
Ao final do discurso, sem saber que o microfone estava aberto, comentou que , por causa da emoção, tinha falado muito mal.
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Fonte: O Globo
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