sexta-feira, 23 de setembro de 2016

“Crise de paralisia traumática” – sobre a morte do ator Domingos Montagner



Muita gente veio me perguntar sobre o que eu achei da entrevista da Camila Pitanga no fantástico, relatando como se deu a tragédia com o ator. Pediram-me uma opinião psicológica do fato e de seu relato. Todos claro, com a grande angústia ou curiosidade de tentar entender o que aconteceu. Então vamos lá, que o que vou explicar pode ajudar muita gente:
Na análise corporal e verbal da Camila podemos entender que todo o discurso dela é íntegro, cinestésico e não aconteceu em nenhum momento nenhum detalhe que sugerisse dúvida no seu relato. Foram muitas piadas de mau gosto disparadas contra a atriz, e muitos queriam assistir para encontrar algo que sugestionasse uma conspiração para fofocar – este o grande mal moderno, mas falaremos disso em outro texto.
Uma coisa no entanto ficou bem clara. O ator Domingos Montagner passou por uma crise de PARALISIA TRAUMÁTICA devido a um choque emocional. Vou explicar: Quando estamos frente a um conflito o nosso cérebro dá apenas duas opções ativas – ou você enfrenta ou foge do perigo. E para isto libera uma grande carga de adrenalina que migra dos intestinos e cabeça para os membros. A intenção é dar força e circulação aumentada para braços e pernas na escolha de enfrentar ou fugir. No caso do Domingos, enfrentar e fugir estavam convergidos na mesma opção.
Enfrentar a correnteza e o redemoinho da região, e fugir deles dependiam da carga de adrenalina para fazer braços e pernas baterem, e eram ali, a mesma coisa. Porém, no relato da Camila, ela deixou claro que ele não conseguiu fazer nenhuma das duas coisas. Um redemoinho não impede de mexer os braços ou dar um grito, por exemplo. Ela ainda gesticula na entrevista, com os braços simulando um nado, como se em seus profundos pavores ela não tenha entendido por que ele não reagiu desta forma.
Existe o que chamamos de afogamento passivo que é quando a vítima parece se deixar levar em silêncio pelo afogamento, e sempre isso vai ser motivado pela paralisia traumática. Pois existem os afogamentos eufóricos, onde a pessoa se bate toda e reage, e que nem sempre acaba bem. Eu fui vítima de afogamento. Estava num mar agitado e entrei no que chamam de “barravento” onde você não consegue se locomover. Fiquei preso alí e lutei muito nadando e mergulhando sem sucesso. Até que comecei a boiar quando senti cãibras. Tive a sorte de ter sido salvo por dois salva-vidas em tempo. Então sempre que a resposta a um afogamento for passiva é paralisia traumática.
O que parece claro é que o ator foi vitimado pela crise de paralisia em conjunto com a força do redemoinho que aconteceu nas águas e provavelmente segurou sua pernas. Quando enfrentamos ou fugimos, nosso cérebro mantém as funções racionais e inteligentes ativas, para que possamos com estratégia sair do problema. Quando, no entanto acontece a paralisia (o que costumamos chamar nos animais de fingir de morto), a função racional do cérebro praticamente é desligada. O cérebro acredita que poupar energia física e mental (já que não se sabe o que fazer) é o melhor plano.
Você já deve ter assistido a alguns vídeos de caçadas, onde o Leão avança sobre a zebra e ela cai sem ao menos levar uma mordida. Aquilo é paralisia traumática. O sistema nervoso da zebra faz as contas rápido e vê que se correr o leão pega, e se enfrentar vai morrer. Então paralisa as forças para poupar energia no intuito de dar um bote e conseguir fugir. O que muitas vezes dá certo. No caso do Domingos, o sistema dele, por alguma causa que falaremos a seguir, travou – e ele ficou em função racional baixa e sem condições de usar a carga de adrenalina. Como se fosse uma criança indefesa. Isso até a Camila gritar socorro, que foi quando ele afundou pela primeira vez. O grito da Camila, sem querer, acionou uma outra função que é a da desistência pelo pavor. Ele então, que já estava na paralisia, ao escutar o grito (segundo este raciocínio biológico-comportamental) diminui mais ainda o tônus muscular (fica com as pernas bambas) e afundou. Era uma esperança até de ele “acordar” da paralisia e reagir com o grito. Mas as condições físicas e naturais do rio já deviam estar insuportáveis e ele se foi, de forma terrível.
Isso acontece todos os dias com muitas pessoas, mas não sabemos. Seja nas águas, nas estradas, em acidentes domésticos, brigas, assaltos. Muitas pessoas morrem diariamente por paralisia traumática. A Camila coitada, só teve o recurso de enfrentar. E fez isso até o fim – ela tentou chegar até ele por duas vezes. Tentou encorajá-lo. Tentou chamar alguém com seu grito.
Entender por que o Domingos paralisou não vai nos levar a uma viagem segura. Pode até ser por um conflito de infância com água, ou até algo que aconteceu dentro da barriga da mãe dele, quando ele era um feto que nadava nas águas e tinha um cordão umbilical preso ao pescoço, por exemplo. Muitas possibilidades. E a notícia ruim é que não podemos evitar a paralisia traumática, porque o comando para ela surgir está cravado em nosso inconsciente, que com a ajuda de nosso cérebro faz as contas do momento. Podemos nos achar os mais fortes e preparados e sermos traídos pela paralisia em momentos graves.
Toda a tragédia pública nos oferece a reflexão e tomadas de novas normas e entendimentos para tentarmos evitar futuras. Meu objetivo como terapeuta é contribuir para um entendimento lógico dentro das nossas limitadas possibilidades de compreensão do todo que nos cerca, sem me ousar a ter certezas absolutas em nada. Luz para a família do Domingos e para a Camila Pitanga.
Jordan Campos – Terapeuta Clínico
Fonte:  Revista Pazes

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza



Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.
Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.
Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.
Texto de Marina Melz
Fonte: Por Revista Pazes

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Reforma de ensino médio do (des) governo de turno: decreta-se uma escola para os ricos e outra para os pobres

Enviado por Paulo Carrano 

Por Gaudêncio Frigotto


A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.
Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a querem para todos.
Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc., seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado. Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele considerado num tempo histórico de desemprego estrutural.  O ajuste ou a austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos estudam.
A reforma do ensino médio que se quer impor por Medida Provisória segue figurino da década de 1990 quando MEC era dirigido por Paulo Renato de Souza no Governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso Maria Helena Guimarães é a que de fato toca o barco do MEC. Também não por acaso que o espaço da mídia empresarial golpista é dado a figuras desta década.
Uma reforma que retrocede ao obscurantismo de autores como Desttut de Tracy que defendia, ao final do século XIX, ser da própria natureza e, portanto, independente da vontade dos homens, a existência de uma escola rica em conhecimento, cultura, etc., para os que tinham tempo de estudar e se destinavam a dirigir no futuro e outra escola rápida, pragmática, para os que não tinham muito tempo para ficar na escola e se destinavam (por natureza) ao duro ofício do trabalho.
Neste sentido é uma reforma que anula Lei Nº. 1.821 de 12 de março de 1953. Que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau médio para efeito de matrícula nos curso superiores e cria novamente, com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de valor econômico.
Também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora que estudam na escola pública.  Uma reforma que legaliza o apartheid social na educação no Brasil.
 O argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de história, geografia, etc. E o medíocre e fetichista argumento que hoje o aluno é digital e não agüenta uma escola conteudista mascara o que realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas ou três escolas em três turnos para comporem um salário que não lhes permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas.  Um professorado que de forma crescente adoece. Os alunos do Movimento Ocupa Escolas não pediram mais aparelhos digitais, estes eles têm nos seus cotidianos. Pediram justamente condições dignas para estudar e sentir-se bem no espaço escolar.
Por fim, uma traição aos alunos filhos dos trabalhadores, ao achar que deixando que eles escolham parte do currículo vai ajuda-los na vida. Um abominável descompromisso  geracional e um cinismo covarde, pois seus filhos e netos estudam  nas escolas onde, na acepção de  Desttut de  Tracy  estudam os que estão destinados a dirigir  a sociedade.  Um reforma que legaliza a existência de uma escola diferença para cada classe social. Justo estes  intelectuais que em seus escritos negam a existência das classes sociais. 
 Quando se junta prepotência do autoritarismo, arrogância, obscurantismo e desprezo aos direitos da educação básica plena e igual para todos os jovens, o seu futuro terá  como horizonte a insegurança e a vida em suspenso.
* Filósofo e Educador. Professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Fonte:  ANPED            

Michel Temer confessa que deu o golpe porque Dilma Rousseff rejeitou a ‘ponte para o futuro’

Veja o vídeo aqui:

The Intercept – O presidente Michel Temer deixou escapar um “segredo” em discurso para empresários e investidores nos EUA: o impeachment de Dilma Rousseff ocorreu para implementar um plano de governo radicalmente diferente do que foi votado nas urnas em 2014, quando o PT ganhou a presidência pela quarta vez, e não por irregularidades praticadas pela ex-presidente.
“E há muitíssimos meses atrás, eu ainda vice-presidente, lançamos um documento chamado ‘Uma Ponte Para o Futuro’, porque nós verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo. E até sugerimos ao governo que adotasse as teses que nós apontávamos naquele documento chamado ‘Ponte para o futuro’. E, como isso não deu certo, não houve adoção, instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação como presidência da república.”
O “Ponte para o futuro” prescreve a desvinculação dos recursos da saúde e da educação, desindexação dos benefícios e do salário mínimo, mudança de idade para a aposentadoria, parcerias com o setor privado e abertura comercial. Essas ideias estavam claramente refletidas na fala de Temer na AS/COA, que visava dar seguimento à incansável empreitada de privatizações e facilitação da entrada do capital estrangeiro no país, listando as vantagens e garantias que seu governo planeja implementar para assegurar o lucro dos membros da plateia, que o ouviam (não tão atentamente) enquanto desfrutavam de suas refeições.
Marcadas pelos já conhecidos eufemismos neoliberais para o que poderia simplesmente chamar de venda do patrimônio nacional, as garantias listadas pelo presidente incluíram a “universalização do mercado brasileiro”, o “restabelecimento da confiança”, uma tal “estabilidade política extraordinária”, parcerias entre os setores público e privado e o avanço de reformas “fundamentais” nas áreas trabalhista, previdenciária e de gastos do governo. “Venho aqui convidá-los a participar dessa nova fase de crescimento do país,” concluiu em tom de leilão.
Os dois grupos são compostos por representantes de corporações multinacionais e membros do estabelecimento de política exterior dos EUA em América Latina. Foram fundados pelo industrialista americano David Rockefeller e têm John Negroponte como presidente emérito – um político neoconservador fundamental para a guerra suja da CIA em Honduras e para a invasão do Iraque em 2003. Em seu site, o Conselho das Américas se define como uma “organização internacional cujos membros compartilham um compromisso comum com o desenvolvimento econômico e social, mercados abertos, estado democrático de direito e democracia por todo o hemisfério ocidental”.
Essa é apenas mais uma singela confirmação de que o impeachment de Dilma não se deu por conta das supostas “pedaladas fiscais”, como quis fazer crer a facção que agora ocupa o executivo federal. Não foi pela família brasileira, não foi por Deus, não foi contra a corrupção. Foi contra o trabalhador e em favor do empresariado. Foi por impunidade, lucro e poder.
Fonte: Debate Progressista                   

Governo retira artes e educação física do ensino médio em 2017

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), oficializaram nesta quinta-feira (22) uma série de mudanças para a implementação do ensino médio integral com currículo flexibilizado. A reformulação do ciclo foi feita através de uma medida provisória e as estimativas são de que existam turmas de ensino médio integral conforme o novo modelo já no primeiro semestre de 2017.
Entre as principais mudanças, está a ampliação da carga horária mínima anual -- as atuais 800 horas serão gradualmente ampliadas para um total de 1.400 horas. Para tanto, a jornada escolar do ensino médio diurno passará para um mínimo de sete horas diárias. A previsão é de que, até 2024, 50% das escolas de ensino médio no Brasil sejam contempladas pelo ensino integral.
O novo currículo será composto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com disciplinas comuns para a primeira metade do ciclo, e por cinco ênfases específicas, organizadas nas áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. O aluno escolherá as disciplinas que deseja cursar conforme sua área de interesse a partir da segunda metade do ensino médio. 
O ensino de língua portuguesa, matemática e língua inglesa deve permanecer obrigatório nos 3 anos, com carga horária mínima semanal de seis tempos de 50 minutos para português e matemática. Já disciplinas como artes e educação física deixam de ser obrigatórias nesse ciclo.
Há ainda a possibilidade de aproveitamento dos créditos adquiridos durante o ensino médio no ensino superior. Na prática, isso indicaria que, ao ingressar na universidade, o aluno não precisaria cursar matérias envolvendo competências e conhecimentos que ele já possui. No entanto, essa medida ainda deve ser regulamentada e homologada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pelo Ministério da Educação (MEC).
Fonte:  Ana Carla Bermúdez
Do UOL, em São Paulo

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Camila Pitanga ficou desesperada após acidente: “Ela gritava com as mãos na cabeça”

Atriz precisou ser resgatada por um por um barco


Testemunhas do desaparecimento do ator Domingos Montagner deram detalhes sobre o momento do incidente. A atriz Camila Pitanga estava com o ator quando ele mergulhou no rio São Francisco.
Ao notar que o ator não voltava à superfície, Camila entrou em desespero e começou a berrar. “Ela gritava com as mãos na cabeça”, conta Josivânia Maria de Araújo Domingos, dona de um restaurante localizado na prainha do rio onde Montagner e Camila estavam, em entrevista a Veja.
“Um menino veio me contar no restaurante, eu achei que fosse gravação. Mas, quando vi o movimento na área, percebi que era algo sério e fui olhar de perto. Camila estava em cima de uma pedra, de onde o ator pulou, gritando em desespero, ‘Socorro, socorro’”, conta Lalá.
Foi preciso um barco para tirar Camila, porque a pedra usada por Domingos para o mergulho fica no meio do rio.
Fonte: Varelanoticias

Domingos Montagner, de 'Velho Chico', morre aos 54 anos

Ator paulistano morreu nesta quinta-feira (15) em Sergipe.
Ele estava acompanhado de Camila Pitanga quando foi tomar banho de rio.


                                       Domingos Montagner como o personagem Santo, da novela 'Velho Chico' (Foto: Pedro Curi/TV Globo) 

Domingos Montagner, o Santo da novela "Velho Chico", da TV Globo, morreu nesta quinta-feira (15). O ator de 54 anos gravou cenas de "Velho Chico" na parte da manhã, em Alagoas. Após o término da gravação, ele almoçou e, em seguida, foi tomar um banho de rio.
As equipes de busca localizaram o corpo do ator, preso nas presas, a trinta metros de profundidade, perto da Usina de Xingó, na Região de Canindé de São Francisco.
Durante o mergulho, não voltou à superfície. A atriz Camila Pitanga, que estava no local, avisou à produção, que iniciou imediatamente as buscas pelo ator. Helicópteros do Grupamento Tático Aéreo, Policia Militar, Corpo de Bombeiros e pescadores da região ajudaram nas buscas.
Nesta semana, a novela também teve cenas gravadas em Piranhas (AL).
O ator paulistano começou sua carreira artística trabalhando no teatro e em circos. Ele atuou em treze programas de TV, entre séries e novelas, além de nove filmes. Alguns papéis de destaque foram o Capitão Herculano Araújo de "Cordel Encatado" (2011) e o presidente Paulo Ventura de "O brado retumbante" (2012).
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Domingos Montagner e Camila Pitanga como os personagem Santo e Tereza, durante gravações da novela 'Velho Chico' (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)Domingos Montagner e Camila Pitanga como
os personagem Santo e Tereza, durante
gravações da novela 'Velho Chico'
(Foto: Caiuá Franco/TV Globo)
Ele também chamou atenção como o Zyah de "Salve Jorge" (2012) e João Miguel de "Sete Vidas (2015). O ator estava no ar como o Santo de "Velho Chico" (2016).
Montagner conta, em seu site oficial, que iniciou sua carreira no teatro, através do curso de interpretação de Myriam Muniz, e no Circo Escola Picadeiro.
Em 1997, formou o Grupo La Mínima, com Fernando Sampaio. A Noite dos Palhaços Mudos, de 2008, lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Ator. Em 2003, criou o Circo Zanni, do qual foi diretor artístico.
O primeiro papel na TV foi no seriado "Mothern" (2006), do GNT, canal da TV por assinatura. A estreia na Globo foi também em seriados: "Força Tarefa", "A Cura" e "Divã". A primeira novela, "Cordel Encantado", foi em 2011. No ano seguinte, estreou no cinema, com uma participação no longa "Gonzaga - de Pai Pra Filho", de Breno Silveira.
Domingos Montagner como o personagem Zyah, da novela 'Salve Jorge' (Foto: Alex Carvalho/TV Globo)Domingos Montagner como o personagem Zyah,
da novela 'Salve Jorge'
(Foto: Alex Carvalho/TV Globo)
Veja a lista com os principais filmes, novelas e seriados da carreira deDomingos Montagner:

TV

“Mothern” (2008)
“Força tarefa” (2010)
“A cura” (2010)
“Divã” (2011)
“Cordel encantado” (2011)
“O brado retumbante” (2012)
“Salve Jorge” (2012)
“Joia rara” (2013)
“Sete vidas” (2015)
“Romance policial – Espinosa” (2015)
“Velho Chico” (2016)
Cinema
“Gonzaga, de pai para filho” (2012)
“A grande vitória” (2014)
“Através da sombra” (2015)
“De onde eu te vejo” (2016)
“Vidas partidas” (2016)
“Um namorado para minha mulher” (2016)
Domingos Montagner como o personagem Santo, da novela 'Velho Chico' (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)Domingos Montagner como o personagem Santo, da novela 'Velho Chico' (Foto: Caiuá Franco/TV Globo)G1