segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Eficácia do Lixo Zero esbarra em falta de estrutura

Lixeiras pela cidade, muitas vezes, ficam entupidas até a boca

                                  
 
 
Com o programa Lixo Zero, que completa um mês de fiscalização na próxima sexta-feira (20), a prefeitura do Rio exige mais educação dos cariocas, no entanto, ela deixa a desejar na limpeza das lixeiras espalhadas pela cidade, muitas vezes entupidas de resíduos até a boca. De acordo com dados da própria Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), um grupo de apenas 25 garis é responsável pela manutenção, diariamente, das cerca de 37 mil lixeiras espalhadas pela cidade. Em média, cada um precisa limpar 1.480 cestas de lixo por dia, o que é praticamente impossível.
O programa Lixo Zero teve início no dia 20 de agosto e aplicou, até o último dia 11 de setembro, 1.155 multas. O Centro representa mais de 90% delas, com 1.055 multas. Em segundo lugar vem o bairro de Copacabana, com 58; seguido por Leblon, com 20; Ipanema, com 10; Gávea, com sete; e Lagoa, com cinco. Além desses bairros, o Jardim Botânico também já recebeu fiscalização, mas foi o único onde não houve multas aplicadas. A maioria das penas foi por descarte de resíduos pequenos como pontas de cigarro e embalagens de alimento. Para este tipo de lixo, o valor a ser pago pelo infrator é R$ 157,00.
Multar quem joga lixo nas ruas da cidade é a forma que a Prefeitura do Rio conseguiu para fazer valer na prática a Lei 3.273/2001, que trata da limpeza urbana. Os números da Comlurb mostram que, após o início das fiscalizações do Lixo Zero, a quantidade de resíduos descartados em vias públicas reduziu 50% no Centro da cidade e 46% em Copacabana.



Mesmo com os dados positivos, ainda faltam medidas eficazes para conscientizar a população e, assim, conseguir uma educação melhor das pessoas. Na opinião do vice-presidente da Associação de Moradores de Copacabana, Toni Teixeira, o Lixo Zero já começa a se caracterizar como um “factoide”.
“O governo cria um programa, mas depois de um mês vemos que ele não como ter sucesso no futuro, pois não existem condições de com poucos funcionários fazer fiscalização suficiente para que todas as lixeiras sejam bem cuidadas. Isso que é lamentável, o marketing de governos que criam novas ações, mas depois vemos que tudo é uma grande falha. Não adianta cobrir a cabeça e deixar os pés, a base do problema, de fora.”, critica Teixeira.
Para Teixeira, além de fiscalização, é preciso aumentar a quantidade de lixeiras. Segundo ele, em Copacabana elas estão sempre lotadas e não há número suficiente. “Ainda mais por se tratar de um dos bairros com maior número de pessoas por metro quadrado do Rio”, ressalta. Atualmente, em toda cidade a média é de uma cesta de lixo para 170 habitantes.
Ainda de acordo com Teixeira, que afirma que “o nível de educação do brasileiro de todas as classes sociais é baixo”, placas poderiam ser a alternativa para educar a população. “O poder público com as placas de advertência automaticamente educaria o povo, com um custo irrisório”. Ele afirma que já advertiu a prefeitura sobre a medida.
A presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, concorda com Teixeira em relação à falta de educação da população. Segundo ela, se as pessoas não se conscientizarem, mais garis não sanaria o problema. “Se a sociedade não tiver consciência de que pode levar o lixo pequeno, como papeis de nota fiscal, para casa, os garis não vão dar conta nunca, nem se tivesse um para atuar em cada duas quadras”, opina.
Por conta da falta de educação, Evelyn acredita que o programa Lixo Zero deveria ter ações visando a mudança de hábito e de como a sociedade deve lidar com determinado tipo de lixo. “Nem todo mundo lê jornal e tem acesso à informação, então acho que faltou essa conscientização. De qualquer forma, é muito pouco gari e a Comlurb poderia ter um equipamento urbano de boa apresentação em algumas quadras para colocar os lixos maiores”, opina.
Evelyn cita ainda que os próprios moradores poderiam fiscalizar a sua área de moradia para, gradativamente, a consciência ser maior. Segundo ela, essa fiscalização dos moradores poderia até ser agregada ao Lixo Zero, “mas essas medidas são coisas que vão surgindo de acordo com a experiência do projeto implantado”.
Procurada pela reportagem, a Comlurb afirma que “a disposição das papeleiras (lixeiras) pela cidade respeita estudos realizados por técnicos da Comlurb e elas ficam concentradas em locais com maior fluxo de pedestres, pontos de ônibus, táxi, centros comerciais, ruas movimentadas etc. Nos bairros residenciais, a colocação segue outro padrão, de acordo com o planejamento adequado para cada área”.
A Comlurb diz ainda que “está sendo providenciada nova licitação para compra de mais sete mil papeleiras de forma a atender satisfatoriamente toda a cidade”. De acordo com a empresa, “mais importante que aumentar a quantidade de lixeiras é a mudança de comportamento”.
A empresa afirma também que “está estudando outros modelos de papeleiras com a abertura maior, porém sua capacidade é limitada a capacidade física do gari durante a manipulação para seu esvaziamento e higienização”. As lixeiras chamadas de papeleiras tem capacidade para 50 litros.

Fonte:Jornal do BrasilCaio Lima *

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