sábado, 8 de junho de 2013

Deus tenha piedade de todos nós, usuários dos trens da SuperVia




 

A MINHA RESENHA

Quem, dentre vós, já teve a inusitada experiência de viajar ao histriônico som de um 'culto' religioso? Eu respondo por mim: já. E muitas, incontáveis vezes. E sempre me sentia incomodado com isso.
Não porque não eram os meus pares metafísicos a promover uma reunião kardecista, a falar sobre as questões éticas, morais e filosóficas que Deus almeja ver florescer no coração de cada ser humano. Nem se fosse, seria válido. O incômodo se dá, neste caso específico,... àqueles que erroneamente interpretam as escrituras sagradas e as praticam de forma mais errada ainda (o tal do "ide e pregai o Evangelho" sendo praticado da forma mais visceral possível).
É de se imaginar, pra quem nunca teve o desconforto de presenciar tais 'cultos', que alimentem uma ideia vaga do tipo: "ah, ele tá inventando isso! Não pode ser possível que um simples 'culto' pode provocar tanto desconforto... afinal, é a 'palavra de DEUS (!!!)' que está sendo levada".
Ok. Pior seria se pior fosse. E é. Imaginem pessoas aglutinadas num vagão superlotado de trem, onde você não tem espaço nem pra mover os pés. Imaginem que o 'pregador' (líder religioso que se preza ($$$) NÃO ANDA de trem, seja de qual religião for), ao começar o culto, demonstra um despreparo completamente visível - ao se verificar pelos grotescos erros de português que comete com a mesma energia que pede o apoio de seu 'rebanho'.
- E a igreja diz...
- Améééééééém... ressoa o vagão do trem, entre solavancos.
Imaginem a gritaria. Imaginem os pandeiros espocando nos seus ouvidos. Imaginem as ofensas diretas a outras religiões, "porque Deus abita (sic) em UMA ÚNICA CASA". Imagina na Copa.
Agora imaginem os que não participam do 'culto'. A maioria silenciosa. Cansada de um extenuante dia de trabalho. Estressada por estar viajando em condições ainda deploráveis (já foi pior, acreditem!). Imaginem cada um deles não ter nem como escapar da volúpia visceral venerável do 'pregador & rebanho', apontando o dedo, chamando-os de 'pecadores' e que 'merecem queimar no fogo do inferno' durante toda a longa viagem. Tenha dó.
Pois que então, soube que a Justiça deliberou contra tais manifestações religiosas, tal o volume de reclamações recebidas pela SuperVia. E que a própria SuperVia já vinha se movimentando para dirimir tais práticas. Em transporte público, não deve haver espaço para NENHUM tipo de manifestação 'sonora'. Ninguém tem o direito de INCOMODAR o outro, seja por qual razão for. Esse é um preceito básico de civilização. E que essa medida (assim como a que estimula o uso de fones de ouvido, por exemplo) se faça presente no nosso dia a dia. Sempre. E que Deus tenha piedade de todos nós, usuários dos trens da SuperVia (ou não).
(Pedro Paulo Neto)

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