'Chinaglia
pediu que eu não revelasse o mensalão'
Às vésperas do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o
ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, diz que Arlindo Chinaglia
(SP), então líder do governo, ofereceu uma "saída pela porta dos fundos" para
que não seguisse com a denúncia que abalou o governo petista em 2005.
Pela proposta, Jefferson entregaria a presidência do PTB ao então ministro
Walfrido dos Mares Guia (hoje no PSB). Depois, seria escalado um "delegado
ferrabrás" para tocar o processo e um relatório pelo não indiciamento do
petebista.
"Acharam que eu ia me acovardar. Me confundiram com o Valdemar Costa Neto. De
joelho eu não vivo, eu caio de pé", disse Jefferson à reportagem antes da
Convenção Nacional do PTB, ontem, em Brasília. Durante mais de três horas,
discursos enalteceram a "coragem" do ex-deputado por denunciar o maior escândalo
do governo Lula.
A reunião do PTB foi feita para mostrar ao Supremo que Jefferson não é um
"qualquer" e que goza de prestígio em seu partido. Ideia do advogado do réu
petebista, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que sugeriu antecipar o evento,
previsto para novembro, e transformá-lo em "convenção-homenagem".
Alhos com bugalhos
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) nega ter feito qualquer proposta para o
ex-deputado Roberto Jefferson não denunciar o mensalão. "Eu fui, sim, à casa
dele na época, mas isso não tem nada a ver. Se existiu essa conversa, não foi
comigo. Vou dar a ele o benefício da dúvida e dizer que ele pode ter se
confundido, misturou alhos com bugalhos."
O petista tenta puxar pela memória. "Se eu falei alguma coisa, deve ter sido
na linha de ir atrás de informações diante de uma história tão incrível (como o
mensalão). Posso ter tentado travar algum diálogo, o que me cabia como líder do
governo, mas não teve proposta nenhuma." As informações são do jornal O
Estado de S.Paulo.

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