O Ministério Público Federal denunciou a existência de um esquema de desvio
de recursos na estatal Furnas Centrais Elétricas para "financiamentos ilegais de
campanhas políticas" e "enriquecimento ilícito de agentes públicos, políticos,
empresários e lobistas".
A denúncia foi revelada ontem pelo jornal Hoje em Dia, de Belo
Horizonte. A acusação formal, que faz referência à chamada "lista de Furnas" -
relação de supostos repasses de recursos, pela estatal, a mais de uma centena de
políticos e cuja autenticidade foi contestada -, foi apresentada pela
procuradora Andréa Bayão à 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro em 25 de
janeiro passado.
A procuradora afirmou que o caso "reproduz o esquema nacional que ficou
conhecido como mensalão". O ex-deputado Roberto Jefferson, réu no processo que o
Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar amanhã, foi denunciado por
lavagem de dinheiro.
Além de Jefferson, foram acusados - por crimes de corrupção e lavagem de
dinheiro - o ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, o lobista Nilton Monteiro e
outras oito pessoas, incluindo funcionários da estatal e representantes da
Toshiba do Brasil e JP Engenharia que, segundo o MPF, ajudaram a financiar o
esquema para obter contratos superfaturados.
O MPF diz que a denúncia é resultado do "desdobramento, no âmbito de Furnas",
das "condutas criminosas de loteamento político" no governo federal, que
proporcionaram "desvio e má aplicação de recursos públicos com o objetivo de
financiar campanhas milionárias".
O juiz Roberto Dantes de Paula, da Justiça Federal no Rio, declinou da
competência para julgar o caso e a denúncia será analisada pela Justiça
estadual. O procedimento está sob sigilo.
O advogado de Jefferson, Francisco Corrêa Barbosa, disse ontem que ele
confirmou em depoimento na PF ter recebido R$ 75 mil das mãos de Toledo. O
Estado não conseguiu contato com os outros denunciados ou seus advogados
e as empresas citadas. As informações são do jornal .
Fonte: O Estado de S. Paulo
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