
RIO - Uma semana após a operação policial que deixou dez mortos na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, moradores realizaram uma manifestação para pedir paz na comunidade. Durante a passeata, representantes de diversas religiões fizeram um ato ecumênico. A pista lateral da Avenida Brasil, no sentido Zona Oeste, ficou interditada por cerca de uma hora na altura de Bonsucesso. O trânsito foi desviado pela pista central, que ainda está lenta desde a altura do Caju. Há reflexos também nas Avenidas Francisco Bicalho, Rodrigues Alves, Presidente Vargas.
Cerca de cinco mil pessoas, de acordo com estimativa da PM, participaram do evento, que acabou por volta das 18h, cerca de uma hora antes do previsto. Eles cantaram funks antigos e também o hino nacional. Alguns manifestantes também deitaram no chão para simbolizar os mortos na operação policial da semana passada. A maioria usou preto, como sugerido pelos organizadores, para demonstrar luto, e o comércio na região fechou mais cedo. O evento foi organizado por 16 associações de moradores e por ONGs. Representantes de organizações dos Direitos Humanos, da OAB e sociólogos também participaram.- Esse ato é uma oportunidade única para se virar uma página na história do Rio. O objetivo é mostrar que comunidades como a Maré precisam de políticas públicas além de garantir o Estado de Direito dos moradores - afirma Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil.
Jailson de Souza, do Observatório das Favelas, apresentou dois moradores feridos em meio à operação do Bope da última semana. O ator Paulo Betti também participou do ato. Ele disse estar solidário às famílias dos mortos na maré:
- Esse é um momento transformador e não podemos aceitar crimes nem da polícia nem dos bandidos.
A socióloga Julita Lemgruber, que também esteve no protesto, afirmou que esse é o momento de alertar à sociedade de que as políticas públicas não podem se resumir apenas às UPPs.
A polícia reforçou o patrulhamento na Avenida Brasil, em trecho próximo à passarela 9, na Maré com equipes da Força Nacional de Segurança e homens da Polícia Militar, do 22º BPM (Maré).
Mais cedo, a Avenida Brasil ficou fechada por cerca de dez minutos devido a um equívoco da CET-Rio, segundo a PM. De acordo com a corporação, a Prefeitura do Rio foi informada que a manifestação no local não seria na Avenida Brasil. A via, então, foi reaberta ao trânsito, às 15h38min. A CET-Rio informou à rádio BandNews que o fechamento se deu para preservar a segurança dos motoristas.
Na semana passada, agentes da tropa de elite da PM entraram na favela na noite desta segunda-feira, após um arrastão ocorrido na Avenida Brasil, e foram recebidos a tiros dados por traficantes. O sargento Ednelson Jeronimo dos Santos Silva acabou baleado e morreu no local. Após a morte do PM, pelo menos nove pessoas foram mortas na ação do Bope, entre a noite da segunda-feira e a manhã da terça. De acordo com moradores, o número de vítimas em confrontos com a PM chegaria a 13 pessoas.
Após denúncias de truculência, a Corregedoria Interna da Polícia Militar instaurou um inquérito para apurar se houve excesso na ação dos policiais do Bope na operação. Policiais da Corregedoria participaram de uma reunião com lideranças da comunidade e com o chefe do Comando de Operações Especiais (COE), o coronel Hugo Freire, na sede da unidade. A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, também criticou a atuação dos policiais militares na maré.
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