Em São Paulo, dois condenados por corrupção ativa, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT, José Genoíno, participaram de um encontro do partido. Genoíno leu uma carta em que disse ter sido vítima de uma injustiça.
STF começa a analisar a acusação de lavagem de dinheiroNa quarta-feira (10), foram condenados oito dos dez réus por corrupção ativa. E ao confirmar a condenação do grupo político, o ministro Ayres Britto disse que o mensalão foi um golpe na democracia.
O ministro Joaquim Barbosa conclui nesta quinta-feira (11) o voto dele sobre o capítulo que trata de lavagem de dinheiro. O julgamento está se aproximando do fim, o ritmo está mais apressado.
Nesse capítulo são apenas seis réus. Entre eles os ex-deputados petistas Professor Luizinho, Paulo Rocha e João Magno. Na quarta, o ministro Joaquim Barbosa inocentou a ex-assessora de Rocha, Anita Lecadia, por falta de provas.
E o relator quer emendar mais um capítulo, o penúltimo do julgamento, com o item sobre evasão de divisas, a remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Nesse novo capitulo estão os publicitários Duda Mendonça e a sócia dele Zilmar Fernandes como réus.
Como sempre, depois de Joaquim Barbosa, quem apresenta o voto sobre esses capítulos é o revisor Ricardo Lewandowski.
Ainda na sessão os ministros Ayres Britto e Celso de Mello responderam aas criticas de que o supremo estaria condenando José Dirceu e José Genoíno por causa da ação política deles, sem a apresentação de fatos concretos.
Celso de Mello, por exemplo, disse que os dois estavam sendo condenados por existirem provas de que agiram de acordo com uma agenda criminosa de perpetuação no poder.
Antes de acompanhar o relator e condenar oito dos dez acusados de corrupção ativa, inclusive o ex-ministro José Dirceu, Celso de Mello lembrou a teoria do domínio do fato, segundo a qual mesmo quem não cometeu diretamente um crime pode ser condenado se ficar comprovado que tinha poder sobre os atos praticados e que a vontade dele foi fundamental para o ato criminoso.
“São os crimes que se processam e praticam na intimidade das organizações governamentais, o que é grave e preocupante. Não porém, senhor presidente, enquanto o Ministério Público e tribunais agirem com independência”, disse.
Último a votar, o presidente do tribunal, Ayres Britto, também condenou oito réus por corrupção ativa. O ministro disse que o direito dos réus foi respeitado no julgamento e que ficou provada a ligação entre todos os acusados de corrupção.
“Um projeto de poder foi arquitetado. Não de governo, porque projeto de governo é licito, é quadrienal. É um projeto de governo que, muito mais que continuidade administrativa, é seca e rasamente continuísmo governamental. Golpe, portanto, nesse conteúdo da democracia, talvez o conteúdo mais eminente da democracia, que é a República”, afirmou.
Concluído mais um item do julgamento, o ministro relator, Joaquim Barbosa, já começou a analisar a acusação de lavagem de dinheiro contra seis réus ligados ao PT. Absolveu um deles, Anita Leocádia, que sacou dinheiro para o chefe. O relator avaliou que Anita não sabia da origem ilegal dos recursos.
Mas indicou que deve condenar pelo menos dois réus: os ex-deputados João Magno e Paulo Rocha. “A fim de não deixar qualquer rastro, os reais beneficiários normalmente adicionavam mais uma etapa a esse mecanismo de lavagem de dinheiro, mediante a indicação de um terceiro para o recebimento dos valores repassados em espécie”, disse.
Em São Paulo, dois condenados por corrupção ativa, o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT, José Genoíno, participaram de um encontro do partido. Dirceu não gravou entrevista.
Genoíno, que entregou o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, leu uma carta em que disse ter sido vítima de uma injustiça: “Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes. Não me envergonho de nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor, mais justo e soberano, como sempre fiz”, disse.
Depois do encontro, o PT divulgou uma resolução em que acusa a oposição e a mídia de criminalizar o partido. O texto não faz menção direta ao mensalão e afirma que setores conservadores demonstram intolerância e hipocrisia.
Fonte: Bom Dia Brasil
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