Moradores desalojados da vila apontam a construção de um prédio na Rua Barão de Mesquita - que já duraria quase uma década - como responsável pelo agravamento da situação de risco das casas nos últimos anos. A maioria deles passou a noite na casa de amigos, vizinhos e parentes. A Defesa Civil vai retornar ao local na manhã desta quarta-feira para avaliar a situação.
Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Mãe quase morre afogada
O auxiliar operacional Ricardo da Conceirção Pereira, de 40 anos, foi chamado às pressas para a casa da mãe, pouco abaixo do imóvel de Efigênia. A idosa de 70 anos, quase morreu afogada pela água que invadiu o imóvel e atingiu cerca de um metro de altura. A parede dos fundos ficou estufada pela pressão da água e ameaça desabar. Móveis, utensílios e eletrodomésticos ficaram espalhados dentro do ímóvel, invadida pela terra e pela lama que desceram da encosta, impedindo o acesso ao interior da casa.
Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
A casa do funcionário público Alex Pinheiro de Carvalho, de 38 anos, escapou de maiores danos, apesar do deslocamento do muro, devido a força da água que desceu morro abaixo. O imóvel do falecido irmão dele, porém, ficou completamente destruído. A enxurrada derrubou o muro e a água ficou represada no quintal.
Outro que viu a casa ameaçada foi o aposentado Orlando Pereira, de 57 anos. O imóvel dele apresenta grande inclinação frontal. O terreno rachou e há ameaça de desabamento. Recém-operado do coração, ele passou a noite na casa de um sobrinho.
"A construtora direcionou o escoamento de água da chuva aqui para a Rua Carvalho Alvim. Reclamamos e eles desviaram para a Rua Barão de Mesquita. Os moradores de lá reclamaram e eles mudaram novamente aqui para nossa vila", descreveu Orlando.
Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Durante a madrugada, as consequências da chuva da noite de terça-feira ainda podiam ser vistas na Grande Tijuca. Na Avenida Maracanã, pista sentido Centro, no cruzamento com a Rua Pinto de Figueiredo, na altura do 1º Batalhão de Polícia do Exército, a força da água derrubou um trecho da mureta de proteção do Rio Maracanã. Parte do asfalto também cedeu. Um trecho de 30 metros está interditado ao trânsito.
Sirenes de alerta foram acionadas na região
A região da Grande Tijuca registrou elevado índice pluviométrico acumulado na noite desta terça-feira. As sirenes do Sistema de Alerta e Alarme da Prefeitura do Rio foram disparadas em seis comunidades pela primeira cez em 2013: Macacos, Borel, Salgueiro, Mangueira, Parque Candelária e Parque Vila Isabel. O Rio Maracanã transbordou. Houve alagamentos na Praça da Bandeira, Tijuca e Maracanã. O trânsito ficou caótico nessas regiões.
De acordo com o Alerta Rio, na estação São Cristóvão, choveu, das 19h15 às 22h, 36,5% da média mensal de chuva para o mês de janeiro. As equipes da Prefeitura registraram pontos de alagamento principalmente na região da Grande Tijuca, do Catete e de São Cristóvão.
A CET-Rio interditou os acessos à Praça da Bandeira, a partir das 20h30, por medida de precaução. Quando o nível d’água baixou no local, os acessos foram progressivamente liberados, a partir de 21h40. O órgão utilizou 350 agentes de tráfego, 30 reboques e 30 paineis informativos durante a operação em toda a cidade. Já a Guarda Municipal utilizou 497 operadores, 6 reboques e 39 viaturas durante o evento. As equipes operacionais continuam de prontidão.
Rio Macaranã transbordou e alagou o entorno | Foto: Leitora Alessandra Carvalho
O Estágio de Atenção é o segundo nível em uma escala de quatro e significa previsão de chuva moderada, ocasionalmente forte, nas próximas horas, segundo o Alerta Rio. A Bacia da Baía de Guanabara engloba as áreas do Centro, Zona Norte, Ilha do Governador e Subúrbios da Central e Leopoldina.
Fonte: O Dia
Nenhum comentário:
Postar um comentário