ASSUNÇÃO - Enquanto o presidente do Paraguai, Federico Franco, reafirmava nesta quinta-feira, 9, que deixará de "ceder" energia ao Brasil e à Argentina, o diretor-geral paraguaio de Itaipu, Franklin Boccia, garantiu que a usina binacional "está blindada contra questões políticas" e "nada afetará as relações com o lado brasileiro".
Jorge Saenz/AP
Franco: Paraguai deixará de 'ceder' energia
ao Brasil
Em entrevista ao Estado, Boccia disse que o presidente está sendo
"mal interpretado". O que o novo governo de Assunção quer é ampliar o consumo
interno de energia limpa produzida por Itaipu e reduzir o uso de combustíveis
fósseis, segundo Boccia, engenheiro indicado há pouco mais de um mês por Franco
para chefiar o lado paraguaio da usina no Rio Paraná.
O presidente que sucedeu a Fernando Lugo, porém, voltou a criticar,
nesta quinta, a venda de energia ao Brasil e à Argentina, falando a empresários.
"O Paraguai tem de se fazer respeitar e Buenos Aires e Brasília devem entender
que terminou a época em que o presidente paraguaio recebia benefícios e lhes
outorgava o usufruto de nossa energia", afirmou. "Hoje, se dá de presente
energia paraguaia ao Brasil e à Argentina."
Em seu discurso na capital, Franco disse que a "palavra ‘ceder’
significa não receber nada em troca". Mas, antes das declarações do presidente,
o diretor-geral do lado paraguaio de Itaipu havia atribuído outro significado à
palavra. "Ceder energia é a terminologia técnica que está no tratado. O
Paraguai, que usa de 5% a 6% do total de energia produzida em Itaipu, determina
o quanto consumirá e o restante é vendido ao Brasil. O tratado, entretanto, fala
em ‘cessão’ e não em ‘venda’ de energia."
Segundo as regras estabelecidas em 1973, a produção da usina
binacional é dividida igualmente entre Paraguai e Brasil – cada um fica com 50%.
O lado paraguaio, porém, usa menos de 10% do total que lhe é de direito e
revende o restante aos brasileiros. O Paraguai ainda mantém uma usina binacional
com a Argentina, Yaciretá.
"Nosso objetivo é utilizar mais da energia que já é do Paraguai. E
isso é uma política de Estado e não de governo, ela vai muito além do mandato de
Franco e até mesmo do presidente que será eleito em abril. O objetivo é que o
Paraguai, paulatinamente, use mais energia hidrelétrica de Itaipu e Yaciretá e
vá deixando de lado os combustíveis fósseis", disse Boccia.
O diretor-geral do lado brasileiro da usina binacional, Jorge Samek,
disse não estar preocupado com as declarações de Franco. "Itaipu tem contrato e
tratado que estabelecem claramente formas de compra e funcionamento. Eles
compram a energia necessária e o que não consomem é comprado pelo Brasil", disse
ele à Agência Brasil. "Claro que, se eles consumirem mais, haverá, obviamente,
menos energia para o Brasil. Mas isso requer instalação de novas indústrias e
fatores que levem a um maior consumo."
Veja também:Fonte: O Estadão/ Com Efe
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