A economia da Zona Euro registou uma quebra de 0,4 por cento no segundo trimestre de 2012 face ao período homólogo. Segundo dados do Eurostat revelados esta terça-feira, o Produto Interno Bruto dos países da moeda única recuou ainda 0,2 por cento em relação ao primeiro trimestre do ano. Já a economia alemã contrariou a tendência recessiva da Europa, ao crescer 0,3 por cento no último trimestre, mais do que apontavam as previsões iniciais. A França também escapou à contração, mas a economia do país permaneceu estagnada face ao mesmo período do ano anterior.
Mas as boas notícias da economia europeia falam alemão. Contrariando as previsões dos analistas, que não contavam com mais do que um avanço de 0,2 por cento do PIB germânico, o país governado por Angela Merkel teve nas exportações para fora do espaço europeu o impulso decisivo para garantir um aumento de 0,3 por cento, que foi ainda assim inferior aos 0,5 por cento do anterior trimestre.
Os números do consumo também beneficiaram as contas de Berlim, uma vez que contribuíram para anular o desempenho negativo dos valores do investimento no país entre abril e junho. Ainda assim os vaticínios dos economistas para os meses que aí vêm continuam a indicar o pior. Joerg Kraemer, do Commerzbank, garante ao jornal espanhol El Mundo que o país não vai conseguir sair imune da crise que assola os restantes países da moeda única, principais parceiros comerciais dos alemães.
“A economia alemã poderá contrair este verão. Ainda que estruturalmente se encontre em boa forma, não pode desvincular-se da recessão da Zona Euro, além de que a economia mundial também está em baixa”, declara. Os dados recentemente publicados que mostram um declínio na produção industrial alemã também não contribuem para o otimismo germânico.
França três vezes zero
Em França o cenário ainda não é de recessão, mas por pouco. Há três trimestres consecutivos que a economia gaulesa regista um nível de crescimento “zero”. O Banco de França tinha previsto já para este trimestre uma contração de 0,1 por cento da segunda maior economia da Zona Euro, que apesar de não se ter concretizado continua nas perspetivas dos economistas para um futuro muito próximo. O consumo baixou 0,2 por cento e o comércio externo caiu 0,5, números que foram compensados com um aumento de 0,6 por cento no investimento.
O ministro francês da Economia, Pierre Moscovici, admitiu à rádio Europe 1 que “os números não são excelentes”, mas que, ainda assim, se mantêm as previsões do Governo para um crescimento de 0,3 por cento no conjunto do ano.
Os dados do Eurostat evidenciam que a economia portuguesa foi aquela que teve o pior comportamento do último trimestre, com uma quebra de 1,2 por cento face ao primeiro período do ano. Chipre e Itália surgem logo atrás no ranking dos países mais castigados, com descidas do PIB de 0,8 e 0,7 por cento, respetivamente. Neste momento, metade dos países da Zona Euro encontra-se em recessão.
Fora da Europa, o Eurostat salienta ainda o abrandamento do crescimento nos Estados Unidos, que cresceram ainda assim 0,4 por cento relativamente ao primeiro trimestre deste ano, enquanto o Japão registou um acréscimo de 0,3 por cento, ficando muito aquém da subida de 1,3 por cento no trimestre anterior.
Fonte:
Ana Sanlez, RTP 14 Ago, 2012, 12:41 / atualizado em 14 Ago, 2012, 13:41
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