Segundo o advogado Leonardo Yarochewsky, ela distribuiu R$ 50 mil e R$ 100 mil "para fulano, beltrano" sem saber que se tratavam de políticos. Com seguidas frases de efeito, Yarochewsky afirmou que a denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não se sustenta.
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O advogado arrancou risos do plenário ao dizer que não há provas de formação de quadrilha para enquadrar sua cliente e que a acusação está banalizada.
"É bonito esse negócio de falar de bando, de quadrilha, até na novela das oito a Carminha disse que ia processar a Rita por formação de quadrilha", disse, referindo-se às personagens protagonistas de "Avenida Brasil", da TV Globo.
Ele desqualificou o trabalho do Ministério Público Federal dizendo que a denúncia foi baseada em coluna e manchetes de jornais "para fazer acusação severa e a ainda ao final pedir a prisão como se isso fosse exemplo". "Ao contrário da acusação, a defesa traz provas [para pedir a absolvição]".
Segundo o Ministério Público Federal, a ex-diretora distribuiu o dinheiro do chamado valerioduto, dando instruções ao Banco Rural, sacando cheques na boca do caixa e fazendo pagamentos pessoalmente. Ela é acusada de formação de quadrilha, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
O advogado Castellar Modesto Guimarães Filho fala em defesa de Cristiano Paz, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), durante julgamento do mensalão no quarto dia, o segundo da fase da defesa dos réus
"O que o patrão faz com o dinheiro, não cabe ao funcionário questionar."
A defesa afirmou que o dinheiro distribuído pela agência era legal e foram obtidos em empréstimos com o Banco Rural. Ele nega compra de votos de parlamentares.
"Ela ajudou a entregar documentos dos sócios para solicitar empréstimo do Rural."
O advogado ainda rebateu a tese do Ministério Público de que houve empréstimos fictícios para ocultar desvio de recursos públicos. "Se o empréstimo é fajuto, se tudo é farsa, seria feito na calada da noite e não numa agência que funcionava normalmente, com câmera, num shopping", disse.
O advogado ironizou o uso de carro-forte para transporte de dinheiro do esquema, citado com ênfase por Gurgel. "Não sei se o ilustre procurador tem conhecimento, mas saidinha de banco acontece a toda hora."
Sobre o uso de dinheiro em espécie, ele também alfinetou Gurgel. "Tem uma dupla sertaneja aí, que eu não vou dizer o nome para não constrangê-los, que quando faz show faz questão de receber em dinheiro."
Em mais um ataque à denúncia da Procuradoria, ele disse que acusação usa conceito medieval. "O que mais se faz nesse processo é culpar pessoas pelo cargo que ocupava, ou porque ocupava cargo em determinado banco, ou em determinado partido, ou em determinada agência de publicidade."
E finalizou provocando mais uma vez o procurador-gral citando versões da música "Apesar de Você", de Chico Buarque: "Você que inventou o pecado esqueceu de inventar o perdão, apesar de você, amanhã há de ser outro dia."
Na sexta-feira, ao fazer a acusação, o procurador citou a música "Vai Passar", também de Chico.
Fonte: Folha de São Paulo
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