sábado, 5 de janeiro de 2013

Paes garante: até 2016 ninguém morará em área de risco do Rio

Por princípio, a ocupação de áreas de risco para moradia é ilegal. Mas, em favelas e comunidades do Rio marcadas pela desordem urbana, o poder público costuma tratar esta questão com leniência, permitindo, pela inércia, que construções visivelmente em desacordo com elementares normas de segurança sejam erguidas junto a encostas e outros locais não seguros.

O problema tem sido permanente numa cidade que, segundo o Censo de 2010, reúne a maior população em favelas do país — cerca de 1,4 milhão de pessoas, 22% dos habitantes do município.

Mas, em geral, somente quando fatos pontuais (grandes temporais, deslizamentos etc.) provocam tragédias, ou quando chamam atenção para ameaças potenciais de desastres, a questão da invasão de áreas de risco retorna à agenda da administração pública, para logo voltar à gaveta dos contenciosos não atacados.

Por isso, é estimulante que o prefeito Eduardo Paes tenha afirmado que até 2016 não haverá uma só pessoa morando em área de risco na cidade. Como se trata de missão complexa, inescapável dentro de qualquer programa de combate à desordem urbana, é preciso que às palavras correspondam atos concretos e imediatos.

Sob pena de a questão resvalar para o amplo terreno das promessas não cumpridas, a remoção de fato de famílias que vivem sob permanente risco não pode mais ser escamoteada.

É providência inexorável, mas que deve necessariamente ser acompanhada de iniciativas em outras áreas da gestão pública. Remover moradores sem alternativas de reassentamento em outras áreas é receita não só para o malogro da iniciativa, mas até mesmo para agravar o problema.

Exemplo disso está descrito em reportagem do GLOBO de quarta-feira, sobre famílias de Santa Teresa, cujas casas desabaram, que foram morar em imóveis igualmente condenados, com recursos do aluguel social que lhes é doado pelo município.

Reassentar famílias implica oferecer-lhes condições de retomar a vida normal nas novas moradias. Neste ponto, a melhoria do serviço de transportes de massa (e da oferta de serviços) é primordial.

O Rio tem incrementado transformações viárias físicas (construção de novas vias, BRTs etc.), mas é crucial também investir no planejamento e/ou aperfeiçoamento de programas. Caso da adoção do bilhete único dentro da real demanda dos usuários, integração entre meios distintos (ônibus, metrô, trens, barcas), metrolização do transporte sobre trilhos e racionalização das linhas de ônibus.

São ações imprescindíveis para fixar com qualidade de vida, em áreas de reassentamento mais distantes — as únicas disponíveis —, os moradores removidos de zonas de risco.

Implementá-las depende de vontade política e de empenho em dar uma solução realista e integrada ao problema dessas ocupações.

Fonte: Blog do Noblat     Enviado por Ricardo Noblat

Nenhum comentário:

Postar um comentário