Projeto moralizador que tentava responder a protestos precisava de 49 dos 81
votos da Casa, mas obteve 46
Foto: André Dusek/Estadão
BRASÍLIA - O plenário do Senado rejeitou uma proposta de emenda à Constituição
que acabava com a figura do segundo suplente e proibia parentes na chapa, um
projeto que respondia à pauta das ruas. A proposta recebeu 46 votos favoráveis,
17 contrários e uma abstenção. Faltaram apenas três votos para que fosse
aprovada, pois para uma emenda constitucional passar são necessários 49 votos o
necessários. A ausência de 16 senadores também ajudou a enterrar o projeto
porque a ausência é como se fosse um voto não.
A derrubada da proposta contou com o decisivo apoio dos suplentes. Dos 16 que
estão no exercício do mandato, oito foram contrários à aprovação da PEC: Antonio
Carlos Rodrigues (PR-SP), Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Clésio Andrade (PMDB-MG),
Eduardo Lopes (PRB-RJ), Gim Argello (PTB-DF), Ruben Figueiró (PSDB-MS), Wilder
Morais (DEM-GO) e Zezé Perrella (PDT-MG). Um nono voto pode ser contabilizado
para derrotar a matéria, já que o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) absteve-se na
votação. Este último é suplente da ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil).
A proposta, de autoria do ex-presidente da Casa José Sarney (PMDB-AP),
estabelecia que o primeiro suplente assumiria a vaga do titular. No caso dos
afastamentos temporários, como licenças para tratamento de saúde ou para ocupar
cargos de ministros de Estado ou secretário estadual, o suplente ficaria no
mandato até o momento do retorno do titular. Na hipótese de afastamento
definitivo, o novo senador seria escolhido nas eleições subsequentes.
Durante os debates, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), relator da proposta,
disse que o objetivo da matéria era "absolutamente louvável". "Estamos
desencadeando aqui o início da reforma política que o povo clamou nas ruas",
afirmou. O peemedebista disse que atualmente há "pouca transparência" atualmente
na escolha dos suplentes. A reação à emenda não foi só dos suplentes. O senador
Roberto Requião (PMDB-PR) a qualificou de "bobagem".
O senador Eduardo Lopes, suplente do ministro da Pesca, Marcelo Crivella,
disse que em "todas as cenas" que viu das manifestações ninguém estendeu uma
faixa para "tirar o suplente". "Eu não me considero um suplente de senador, me
considero senador suplente", protestou Lopes, que disse ter feito campanha.
Fonte: Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo

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