Brasília – Os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), José Eduardo
Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa), Paulo Bernardo (Comunicações) e José
Elito (Gabinete de Segurança Institucional) estão reunidos para analisar as
ações a serem adotadas em relação às denúncias de existência de um esquema de
espionagem a cidadãos brasileiros por parte dos Estados Unidos. A conversa,
segundo assessores, vai detalhar as orientações da presidenta Dilma Rousseff
sobre os aspectos referentes à soberania, à segurança e aos pedidos de punição
para os responsáveis, assim como solicitações de esclarecimentos.
A ideia é que a partir de reuniões como esta cada área envolvida nas
providências adotadas pelo governo possa atuar em parceria e coordenação.
Ontem (8) em Belo Horizonte, Patriota reiterou sua preocupação com as
denúncias. Segundo ele, é fundamental aprofundar as discussões. O jornal O
Globo publicou reportagens informando que teve acesso a dados obtidos pelo
ex-agente norte-americano Edward Snowden, que trabalhava em prestadora de
serviços para a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos,
indicando que cidadãos brasileiros foram monitorados.
As reportagens mostram ainda que havia uma espécie de escritório da NSA em
parceria com a Agência de Serviço de Inteligência norte-americana (CIA) em
Brasília. O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, negou a
veracidade das informações, mas não entrou em detalhes.
Dilma determinou ontem uma série de providências. A Polícia Federal coordena
as investigações, que serão conduzidas em parceria com a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) para apurar se houve monitoramento pelos
norte-americanos de telefonemas e transmissões de dados de empresas e pessoas
brasileiras.
Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores deve recorrer à
Organização das Nações Unidas (ONU) na tentativa de definição sobre normas
claras de comportamento para os países quanto à privacidade das comunicações dos
cidadãos e à preservação da soberania dos demais Estados. Também deve pedir
providências à União Internacional de Telecomunicações (UIT), em Genebra, na
Suíça, para o aperfeiçoamento de regras multilaterais sobre segurança do setor.
Fonte: Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
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