quarta-feira, 10 de julho de 2013

MAIS UMA UNIDADE ONDE A POPULAÇÃO É ENGANADA


 Na UPA da Rocinha, primeira unidade que visitei nesse recesso, a população não sabia que estava sendo atendido por clínicos gerais, inclusive as crianças que são atendidas de noite, pois só existem pediatras na unidade durante o período do dia. Hoje, acompanhado de três moradores e um jornalista de um veiculo local, fui ao novo hospital de emergência d...a Ilha do Governador, o Hospital Municipal Evandro Freire e saímos com a certeza de que a população também está sendo enganada.

Com custo de R$ 66 milhões bancados pela Prefeitura, o hospital foi finalmente inaugurado em 07 de fevereiro desse ano, quando o Prefeito anunciou com pompa que os problemas que pacientes encontravam no antigo hospital da Ilha estariam resolvidos. O Paulino Werneck inclusive encerrou seus atendimentos de emergência, ficando com apenas 30 leitos de clinica médica para receber pacientes da nova unidade. Enquanto isso, o Evandro Freire conta com 103 leitos já funcionando e 40 ainda fechados. Além de ter pago a obra de construção e os custos para equipar o prédio, a Prefeitura irá repassar mais de R$ 60 milhões em 2013 para a Organização Social que fará a gestão da unidade, a OS CEJAM (Centro de Estudos João Amorim), instituição ligada ao Hospital Pérola Byington de São Paulo. Essa mesma OS receberá ainda, outros R$ 20 milhões em 2013, para gerir a Coordenação de Emergência Regional (CER) que funciona no mesmo prédio e é responsável por atender uma média de sete mil emergências de pequena e média complexidade. Para deixar claro: Todos os recursos para construção e manutenção são oriundos da SMS, mas quem faz a gestão é a OS.

O que não foi dito para a população é que nem todos os casos podem ser atendidos nessa nova, bela e cara emergência. Pessoas com problemas neurológicos, oftalmológicos, obstétricos e casos como cálculo renal, hérnias e cálculo na vesícula, precisam estar cientes que terão que procurar clinicas privadas ou buscar atendimento em outro bairro, pois o novo hospital não tem como atender casos de neurocirurgia, cirurgia vascular, urologia e ginecologia. Ainda pior é o caso das gestantes: com o fechamento da maternidade do Paulino Werneck, as mulheres que procuram atendimento em trabalho de parto são recebidas por uma ambulância do programa Cegonha Carioca, que precisa fazer a façanha de levar essa gravida até a Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, nos fundos do Hospital Souza Aguiar, no Centro, antes que seu filho nasça.

Parece que os governantes não sabem que nem todos se locomovem de helicóptero pela cidade...
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Fonte: Paulo Pinheiro


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