domingo, 7 de julho de 2013

Entidades médicas condenam situação da saúde no Rio de Janeiro


Baixa remuneração e condições precárias de trabalho são os principais problemas

Um dos setores mais criticados pelos manifestantes que tomam as ruas do Brasil pedindo melhorias nos serviços prestados pela esfera pública, a saúde, é alvo de grande preocupação dos médicos do Estado do Rio, onde está em situação de calamidade pública. O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed/RJ) e o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) apontam a baixa remuneração, condições precárias de trabalho e falta de estímulo para a interiorização dos profissionais como os principais problemas do setor.
De acordo com o presidente do Sinmed/RJ, Jorge Darze, a saúde pública fluminense se encontra em calamidade pública pelo fato de não ter sido prioridade nas políticas do governo. Segundo ele, as ações prioritárias foram com os “canteiros de obras, como a TransOeste e o Maracanã, que deixaram a saúde e a educação como canteiro secundário”.
“O Rio de Janeiro virou um verdadeiro canteiro de obras em detrimento da saúde e educação, que ficaram em segundo plano. E numa região aonde a saúde e educação vão muito mal, fica claro que a prioridade deveria ter sido outra. Além disso, opções dadas para sanar os problemas na saúde estão longe de representar uma solução. Tanto o governo estadual como o municipal querem entregar as unidades públicas para o setor privado, através das Organizações Sociais ou empresas privadas, como a Facility, que trabalham na lógica do lucro. A dinâmica tem sido na contramão da Constituição e da legislação do SUS. A Constituição diz que é dever do Estado dar saúde aos cidadãos, então não pode relegar a terceiros”, critica Darze.
O presidente do Sinmed/RJ ressalta que há um alto índice de evasão dos profissionais da saúde pública no Estado do Rio e exemplifica com o que ocorreu no último concurso público realizado na capital fluminense: “Foram oferecidas 1.700 vagas e apareceram 2.000 interessados. Desses, 750 foram aprovados, porém, 80% deixaram a rede pública quando se depararam com as condições de trabalho”.
No que diz respeito às condições de trabalho, o presidente do Sinmed/RJ cita a frequente falta de materiais, o não investimento em tecnologia, “que já são ultrapassadas” e a falta de manutenção dos hospitais da rede pública. Para Darze, no entanto, a pior situação são das emergências, que “sofrem com equipes desfalcadas, deixando o hospital sem resolubilidade, aumentado gradativamente a mortalidade”. De acordo com ele, não é por falta de médicos, mas sim pela baixa remuneração que não fixa o profissional na rede.



A presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo, concorda que não há falta de médicos na rede pública do Estado do Rio, nem do país, “mas o problema é a má distribuição dos profissionais, pois não há estímulo para eles irem para o interior, e acabam ficando em áreas com melhores condições econômicas e financeiras”.
Para Márcia, faltam salários decentes nas regiões interioranas: “Já houve concurso que ofereceram R$ 2.017, e isso seria o salário para a vida inteira, pois não há planos de cargos e salários. Nós queremos concursos públicos para todas as instâncias governamentais e também uma carreira de Estado para poder interiorizar os médicos”.
Buscando soluções para a saúde, o Cremerj iniciou uma campanha para coletar 1,5 milhão de assinaturas, pedindo que sejam aplicados 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na saúde.
Para sanar os problemas apontados, o presidente do Sinmed/RJ acredita ser necessário continuar os protestos nas ruas com pressão permanente para obrigar a mudar os rumos do sistema de saúde pública. “Mas o caminho é duro, tal comprometimento que os governantes têm com o projeto da saúde privada”, admite Darze.
Secretaria admite déficit
De acordo com informações da própria Secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ), há falta de profissionais de saúde no Estado. Informações da assessoria de imprensa afirmam que há "déficit de 12,7%  de profissionais em toda a rede, não apenas nas urgências e emergências. Atualmente, a maior dificuldade está em encontrar profissionais nas especialidades de pediatria, neurocirurgia, ortopedia e anestesia".
Segundo a nota, a SES "vem ampliando os salários oferecidos aos profissionais, sendo hoje compatíveis com o mercado; em alguns casos, até superior ao pago na rede privada. Dependendo da especialidade do profissional, do dia trabalhado e localidade, um médico que atua em UPAs pode ganhar entre R$ 6 mil e R$ 16 mil".
Ainda de acordo com a SES "nenhum dos hospitais da rede estadual de saúde é gerido por empresa privada. Algumas UPAs e alguns serviços são administrados por Organizações Sociais de Saúde (OSS). que não são empresas privadas e sim entidades sem fins lucrativos. Chamá-las de 'empresa privada' é um grave equívoco jurídico".

Fonte: Jornal do BrasilCaio Lima*

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