De acordo com o presidente do Sinmed/RJ, Jorge Darze, a saúde pública fluminense se encontra em calamidade pública pelo fato de não ter sido prioridade nas políticas do governo. Segundo ele, as ações prioritárias foram com os “canteiros de obras, como a TransOeste e o Maracanã, que deixaram a saúde e a educação como canteiro secundário”.
A presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo, concorda que não há falta de médicos na rede pública do Estado do Rio, nem do país, “mas o problema é a má distribuição dos profissionais, pois não há estímulo para eles irem para o interior, e acabam ficando em áreas com melhores condições econômicas e financeiras”.
Para Márcia, faltam salários decentes nas regiões interioranas: “Já houve concurso que ofereceram R$ 2.017, e isso seria o salário para a vida inteira, pois não há planos de cargos e salários. Nós queremos concursos públicos para todas as instâncias governamentais e também uma carreira de Estado para poder interiorizar os médicos”.
Buscando soluções para a saúde, o Cremerj iniciou uma campanha para coletar 1,5 milhão de assinaturas, pedindo que sejam aplicados 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na saúde.
Para sanar os problemas apontados, o presidente do Sinmed/RJ acredita ser necessário continuar os protestos nas ruas com pressão permanente para obrigar a mudar os rumos do sistema de saúde pública. “Mas o caminho é duro, tal comprometimento que os governantes têm com o projeto da saúde privada”, admite Darze.
Secretaria admite déficit
De acordo com informações da própria Secretária de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ), há falta de profissionais de saúde no Estado. Informações da assessoria de imprensa afirmam que há "déficit de 12,7% de profissionais em toda a rede, não apenas nas urgências e emergências. Atualmente, a maior dificuldade está em encontrar profissionais nas especialidades de pediatria, neurocirurgia, ortopedia e anestesia".
Segundo a nota, a SES "vem ampliando os salários oferecidos aos profissionais, sendo hoje compatíveis com o mercado; em alguns casos, até superior ao pago na rede privada. Dependendo da especialidade do profissional, do dia trabalhado e localidade, um médico que atua em UPAs pode ganhar entre R$ 6 mil e R$ 16 mil".
Ainda de acordo com a SES "nenhum dos hospitais da rede estadual de saúde é gerido por empresa privada. Algumas UPAs e alguns serviços são administrados por Organizações Sociais de Saúde (OSS). que não são empresas privadas e sim entidades sem fins lucrativos. Chamá-las de 'empresa privada' é um grave equívoco jurídico".
Fonte: Jornal do BrasilCaio Lima*

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