Sepe-RJ: "Dinheiro para Copa tem, mas para a Educação, nada
Os professores consideram incoerente o discurso dos governos estadual e municipal, que segundo eles enfatiza a valorização dos profissionais, mas na hora de investir destinam as verbas somente para os projetos da Copa do Mundo e não cumpre, ao menos, os acordos já firmados. "Esse pouco caso das autoridades é muito ruim, porque ao mesmo tempo que eles [governantes] falam em valorização do profissional da Educação, na prática as verbas públicas vão somente para a Copa e nada sobra para o ensino. Esse índice alarmante de violência divulgado agora tem uma relação indireta com a precariedade na Educação. Como as autoridades não investem devidamente no ensino, depois têm que investir mais em segurança pública.", disse uma das representantes do Sepe, Marta Moraes.
O ensino no estado poderia estar em outro patamar, na opinião de Marta, se o governo estadual enviasse apenas uma parte "dos bilhões que está investindo na Copa para a melhoria do ensino público". Segundo ela, mais de 100 escolas estaduais fecharam as portas no governo Cabral, em função de um processo constante e acelerado de sucateamento. Outra questão grave é a super lotação das creches, que estão atendendo a um número de alunos bem maior do recomendado pelas próprias autoridades. "Esse quadro é delicado, porque leva à um risco grande para as crianças. São poucos professores para tomar conta de um número grande de alunos", explica Marta.
Segundo Wilson Risolia, elevar os salários dos profissionais do ensino implica em um processo burocrático e a proposta feita pelo governo teve como base os valores do ano passado, de 8%. O secretário disse também que não foi comunicado oficialmente pelo Sepe-RJ sobre a greve, mas se o movimento tiver respaldo legal, não poderá substituir o professor grevista e terá que aguardar o seu retorno para repor as aulas.
O Sepe já informou que vai realizar uma nova assembleia na próxima quinta-feira (15/5) com o intuito de avaliar o movimento. Nesta quarta (7) a classe fez uma paralisação por 24 horas. De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), dos 75 mil professores da rede somente 302 não compareceram e as escolas e funcionaram normalmente. Já o Sepe informou que 40% dos profissionais aderiram à paralisação.
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