Rio tem pressa em concluir obras essenciais para sediar evento. Fifa já criticou o Brasil por atrasos
Rio - Faltando cinco meses para a Copa do Mundo, o Rio corre contra o calendário apertado para cumprir a tempo os compromissos prometidos para a realização do evento. São três ‘responsabilidades’ que a capital carioca assumiu com a Fifa para a competição: implantar o corredor de ônibus Transcarioca, reformar o Estádio do Maracanã e seu entorno (com a criação de uma estação para passageiros de trem e metrô) e reestruturar o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, o Galeão.
De todas as obras, esta última é a que mais corre risco de ficar apenas no papel — o cronograma chegou a atrasar mais de dois anos. As mudanças, por exemplo, no Terminal 1 já deveriam estar prontas há um ano e quatro meses. A nova data para a conclusão é abril, segundo a Infraero.
No Terminal 2 do Galeão, reforma só deve ficar pronta em abril
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
No Terminal 2, onde apenas um elevador estava funcionando na última quinta-feira e malas de dezenas de passageiros que tiveram um voo cancelado formavam uma fileira no saguão, a situação não é diferente. Pelo calendário inicial, as intervenções deveriam ter sido executadas até abril de 2011. Mas não ocorreram. A previsão agora também é para o mês de abril.
Concluir o corredor de ônibus da Transcarioca é um dos desafios
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
No assunto mobilidade, os riscos de um vexame na Copa também não estão descartados, apesar da garantia do governo do estado de que a estação multimodal do Complexo do Maracanã estará pronta até a competição.
A estrutura terá cinco plataformas de embarque e desembarque, sendo três para atender os passageiros da Supervia e duas para os usuários do metrô. O estado afirmou que 90% das fundações já foram concluídas. O Portal da Transparência do governo federal mostra maio como prazo de entrega.
Turistas encontrarão Museu do Índio abandonado
Pivô de uma série de protestos, o prédio do Museu do Índio não vai ganhar um novo visual até a Copa. Os turistas que forem ao Estádio do Maracanã vão se deparar com a estrutura abandonada. Isso porque, em função das alterações nas obras, a Concessionária Maracanã vai revisar o cronograma para o local.
Imóvel será transformado em um Centro de Referências das Culturas Indígenas, mas cronograma será revisado pela Concessionária Maracanã
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
O imóvel será transformado em um Centro de Referências das Culturas Indígenas. Mas essa mudança não está na matriz de responsabilidades da cidade para a Copa. Também não é exigência da Fifa a construção de vagas de estacionamento sobre a linha férrea, ou em área próxima ao estádio. Por isso, a obra só vai ficar pronta depois da competição.
No BRT Transcarioca, é preciso acelerar
Orçado em R$ 1,7 bilhão, o Transcarioca está previsto para o primeiro semestre. O corredor, que vai ligar a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional do Galeão, também não fugiu do atraso. A prefeitura chegou a anunciar que a primeira fase do BRT entraria em funcionamento no ano passado. De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, para a conclusão da obra, falta a finalização da implantação do pavimento rígido em alguns trechos e o término da instalação das estações de embarque e desembarque de passageiros.
O município terá que correr. Algum construções, como a ponte estaiada da Ilha do Governador e os viadutos sobre a Estrada do Galeão e do Terminal 1 do aeroporto internacional, ainda estão ainda em fase de execução. “Espero que o corredor não seja concluído de qualquer jeito, às pressas, como o Transoeste, porque depois é o dinheiro público que é usado para consertar os reparos malfeitos”, criticou a universitária Flávia Muniz, 25 anos.
Na semana passada, O DIA mostrou que o Transoeste, inaugurado há um ano e meio, já tem 270 remendos na pista. A manutenção é paga pelo município, uma vez que o prazo de garantia dado pela construtora Odebrecht já expirou.
O Transcarioca vai passar por Barra da Tijuca, Curicica, Ilha do Governador, Taquara, Tanque, Praça Seca, Campinho, Madureira, Vaz Lobo, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Penha, Olaria e Ramos. Cerca de 440 mil passageiros devem andar diariamente no corredor, que terá 45 estações e 39 quilômetros de extensão.
Fonte: O Dia
Nenhum comentário:
Postar um comentário