O Sindicato dos Médicos vai entregar representação ao Ministério Público do
Trabalho questionando a legalidade da instalação de microchips eletrônicos em
jalecos para monitoramento de médicos da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de
Mesquita, na Baixada Fluminense.
Os dispositivos controlam a frequência e se o profissional deixou a
instituição com o uniforme, o que aumenta o risco de infecção hospitalar. Os
chips também serão aplicados em equipamentos e insumos, para "melhor controlar o
patrimônio", informa a Secretaria de Estado de Saúde.
A medida causou desconforto entre médicos e funcionários e levou o sindicato
a entrar com a representação. O principal argumento é que a secretaria já dispõe
de meios "menos agressivos" para aferir a frequência, como o ponto eletrônico e
o ponto biométrico. "É assédio moral porque o governo pressupõe que o servidor
está ali para roubar e para burlar a escala de trabalho", afirmou o presidente
do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze.
Darze afirma ainda que as unidades de saúde têm vigilantes, que controlam a
entrada de pacientes. "Esse profissional pode lembrar ao médico que ele está
deixando a UPA com o jaleco. Mas a melhor forma de reduzir a infecção hospitalar
é com programas de prevenção", afirmou o médico, que comparou o chip às
tornozeleiras usadas por presidiários em liberdade condicional.
Segundo a secretaria, a decisão de colocar o chip foi da organização social
que administra a UPA. "Ela precisa cumprir metas e achou por bem instalá-lo. O
foco não é a frequência do médico, mas sim o controle da infecção hospitalar",
diz a coordenadora da enfermagem da secretaria, Silvana Pereira.
Fonte: O Estado de S.Paulo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário