Goiás - Um dia depois de ser cassado no Senado, Demóstenes Torres, ex-DEM-GO, assumiu ontem como procurador de Justiça no Estado de Goiás. Como a resolução que determina sua cassação foi publicada ontem no Diário do Senado, Demóstenes reassumiu a 27ª Procuradoria de Justiça, onde é titular. À tarde, ele esteve no órgão e protocolou um comunicado de exercício, procedimento necessário para retomar suas atividades no Ministério Público (MP) de Goiás.
Demóstenes se defendeu durante julgamento no plenário | Foto: Divulgação
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De acordo com o portal da transparência do MP de Goiás, sem os benefícios específicos aos quais cada procurador tem direito, o salário de Demóstenes é de R$ 24.117,62. Como senador, ele ganhava R$ 26,7 mil por mês.
A Corregedoria-Geral do MP informou que eventuais procedimentos disciplinares só serão instaurados após o retorno de Demóstenes ao órgão. A assessoria do MP esclareceu que não há procedimento instaurado em relação à conduta de Demóstenes Torres porque os questionamentos no Senado não se referem à atuação dele como integrante do MP, mas como senador.
Ontem, Demóstenes não permaneceu muito tempo no prédio do MP, localizado em Goiânia. O senador cassado estava licenciado do cargo de procurador desde 1999 — ele ingressou em maio de 1987 — para se candidatar.
Mantido o vínculo com o MP, Demóstenes continuará com foro privilegiado. Assim, o processo a que responde no Supremo Tribunal Federal (STF) deverá ser julgado pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Caso Demóstenes seja desligado do MP, seu julgamento ficará a cargo da Justiça Federal de Goiás.
Demóstenes foi cassado na sessão de quarta-feira no plenário do Senado por 56 votos a 19. Ele foi condenado por quebra de decoro parlamentar por defender no Congresso os interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso.
Advogado vai ser substituído
O senador cassado Demóstenes Torres disse ontem que já tem novo advogado. Em entrevista ao jornal ‘Folha de S.Paulo’, Demóstenes confirmou que Antonio Carlos de Almeida, o Kakay, que atuou no julgamento no Senado, não fará sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele vai recorrer da cassação.
“Já estou com um advogado. No momento oportuno eu falo”, disse à ‘Folha’. Após a cassação, Kakay disse que a decisão do Senado era “soberana”.
No Twitter, Demóstenes postou os motivos que o levam a recorrer ao STF: “Fui cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebrado o decoro”, escreveu.
Ontem, assessores começaram a esvaziar o gabinete que pertenceu a Demóstenes por nove anos. A direção do Senado vai requisitar que ele desocupe o apartamento onde mora. Seu suplente, Wilder Morais (DEM), ainda não avisou quando vai assumir o mandato.

Fonte: O Dia