Médicos negam surto, mas alertam que quadro pode levar a pneumonia
RIO - Mesmo que os últimos dias quentes às vezes não deixem lembrar que estamos em pleno inverno, as doenças respiratórias — muito comuns nesta época do ano — têm atingido um grande número de pessoas, principalmente as crianças. Um retrato que pode ser percebido nos locais de trabalho, nas ruas e nas principais emergências da cidade do Rio. É gente espirrando e tossindo para todo lado e se queixando de virose. Especialistas e médicos negam a existência de um surto, mas alertam para o risco de agravamento do quadro da doença, que pode evoluir até para uma pneumonia.
Segundo o infectologista Edmilson Migowski, diretor do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, da UFRJ, nesta época do ano é comum uma grande circulação do vírus da gripe. Ele alerta que uma virose pode ser agravada quando há contato com bactérias. A consequência pode chegar à infecção das vias respiratórias. Têm sido comuns os casos de sinusite, conjuntivite, otite e até de pneumonia. Geralmente, é quando o tratamento precisa ser feito com antibióticos.
Bactéria pode agravar quadro da doença
O sinal de alerta é quando uma virose, que só deveria durar de três a quatro dias, vai se prolongando, e há o agravamento. Em muito casos, popularmente, é chamada de uma gripe “mal curada”.
— Nesses casos, além dos sintomas normais de uma virose, a pessoa pode ter vômitos e diarreia — explicou Migowski.
Segundo o infectologista, na maioria dos casos a culpada pelo agravamento de viroses é a bactéria pneumococo, que é comumente encontrada na garganta.
— As pessoas têm a bactéria, mas não significa que terão uma gripe mais grave. No entanto, em indivíduos que já estão com o organismo debilitado pela virose, o quadro pode evoluir para uma infecção bacteriana. Na rede pública, há vacina para cerca de dez tipos de pneumococos. O problema é que existem cerca de 90 tipos — explicou Migowski.
Diante desse quadro, a prevenção é o melhor remédio. A infectologista Ana Lúcia Senna, que trabalha na Rede D’Or, aconselha que as pessoas já doentes evitem ficar em em locais onde haja aglomerações ou em ambientes fechados. É necessário ainda lavar as mãos várias vezes aodia, evitar tocar os olhos, nariz ou boca após o contato com superfície e também fazer repouso.
Uma questão que sempre surge durante o inverno é saber se quem toma vacina contra a gripe não terá uma virose. Os infectologistas explicam que a imunidade vale apenas contra um agente causador de doença. Como os que provocam a gripe e o resfriado são diferentes, a vacina da gripe não pode prevenir o resfriado.
Os cuidados com crianças e idosos devem ser redobrados. O pequeno Davi Arcanjo da Silva dos Santos, de 4 meses, é uma das vítimas da virose. O bebê está internado no Martagão Gesteira com complicações respiratórias. Segundo a mãe, Maria Parecida da Silva, o menino começou com sintomas de um resfriado, que dois de uma semana evoluiu para um infecção.
Sintomas
Febre, calafrios, tosse, dor de garganta, congestão nasal, dor muscular, fadiga, vômito e diarreia.
Prevenção e controle
Higienizar as mãos com água e sabonete após as refeições, antes de tocar nos olhos, boca e nariz e após tossir, espirrar ou usar o banheiro.
Proteger com lenços (preferencialmente descartáveis) a boca e nariz ao tossir ou espirrar para evitar a disseminação.
Evitar aglomerações e ambientes fechados
Ficar de repouso, utilizar alimentação balanceada e aumentar a ingestão de líquidos.
Fonte: O Globo
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