segunda-feira, 9 de julho de 2012

Desordem no caminho da despoluição de canais

Programa de revitalização esbarra em cemitério de caminhões, cais improvisado e barracos junto à Linha Vermelha

Cais improvisado no Canal do Cunha: com os dias contados, diz Minc
Foto: Custódio Coimbra / O Globo
Cais improvisado no Canal do Cunha: com os dias contados, diz MincCustódio Coimbra / O Globo
RIO - Com previsão de conclusão em outubro, o programa de revitalização e despoluição dos canais do Fundão e do Cunha, cujo símbolo é a Ponte do Saber — a primeira ponte estaiada do Rio —, esbarra num cais improvisado, em barracos e num cemitério de caminhões. Tudo embaixo ou junto à Linha Vermelha e na vizinhança da Estação de Tratamento de Esgoto de Alegria.
Com ares de ferro-velho, no cemitério de caminhões, na última terça-feira, havia 22 carcaças de carretas, além de pneus e pedaços de veículos. Dois homens trabalhavam no terreno, com maçarico, retalhando caminhões.
Filho do dono do terreno, de 32 mil metros quadrados e entrada pela nova via de acesso ao Porto, Rodrigo Alves garantiu que, no lugar, será implantada uma transportadora:
— A obra de construção da transportadora está liberada. Enquanto não começa, usamos a área como depósito de veículos. Não é um ferro-velho.
Sindicarga diz que carretas são descartadas
Diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Rio (Sindicarga/RJ), Elizeu Drumond contou que o cemitério de caminhões junto à Linha Vermelha é resultado de 30 anos de abandono do Porto. Segundo ele, com o valor baixo do frete dos contêineres (R$ 70 por unidade) entre o cais e os terminais onde eles são armazenados, no Caju, donos de caminhões não conseguem fazer manutenção em seus veículos, nem revendê-los ou comprar novos modelos.
— O Porto não restringe a entrada de veículos velhos. Em geral, os donos usam os caminhões até acabarem com os veículos e os abandonam. As carretas são desmontadas e vendidas como sucata para a Gerdau, em Itaguaí. Cerca de 300 carretas entram no Porto e saem de lá diariamente. Quase todas são de particulares e estão em péssimo estado. Mas esse tipo de profissional está acabando. A tendência é que seja substituído por transportadoras — observou Drumond.
Segundo ele, a área de descarte de caminhões junto à Linha Vermelha é a maior do município. Um outro cemitério de carretas, menor, funciona atrás da Avenida Brasil, na altura da Refinaria de Manguinhos.
Responsável pelo programa de revitalização e despoluição dos canais do Fundão e do Cunha, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, garante que, se a prefeitura tiver interesse, a Coordenadoria de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca) dará o apoio necessário para o fechamento do cemitério de caminhões da Linha Vermelha.
Ponte terá iluminação igual à do Cristo Redentor
Já o cais improvisado embaixo da via expressa tem os dias contados, garantiu Minc. Para complementar o programa de revitalização e despoluição, disse ele, serão construídos, até o fim deste ano, três atracadouros, em concreto, para os pescadores da região — um no Canal do Cunha e dois no Canal do Fundão. Os valor de R$ 1,5 milhão necessário para as obras sairão do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam).
Quanto à retirada dos barracos colados em pilares da Linha Vermelha, Minc transferiu a responsabilidade:
— Desde janeiro de 2007, a realocação de favelas ao longo de rios e canais que terminam na cidade cabe formalmente à prefeitura.
Em maio de 2009, a Secretaria do Ambiente iniciou as obras de recuperação ambiental dos canais do Fundão, do Cunha e seu entorno. Com investimentos de R$ 320 milhões, o programa inclui dragagem, a reurbanização da Vila Residencial da UFRJ, o reforço dos pilares de sustentação da Linha Vermelha e das pontes Oswaldo Cruz e Brigadeiro Trompovski, entre outras obras.
— O que era um anticartão-postal virou um cartão-postal. No dia 15 de agosto, vamos inaugurar a iluminação da Ponte do Saber. Ela chegou da Coreia. Será igual à do Cristo Redentor, na cor gelo azulada — contou Minc.

Fonte: O Globo

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