quarta-feira, 16 de maio de 2012

Companhia Siderúrgica do Atlântico pode ser colocada à venda no RJ

Empresa alemã, que detém maior parte da fábrica, divulgou nota.
CSA já respondeu a inquéritos por crimes ambientais desde inauguração.

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) pode ser colocada à venda. Foi o que anunciou a ThyssenKrupp, empresa alemã que controla a maior parte da fábrica, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro , conforme mostrou o RJTV. A usina, atualmente com milhares de empregados, recebeu bilhões em investimento para funcionar. Desde a inauguração, em 2010, já respondeu a inquéritos por crimes ambientais.
Na manhã desta terça-feira (15), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) fez uma vistoria na usina e comprovou que a estrutura instalada para evitar a emissão de fuligem em Santa Cruz está funcionando. No entanto, a CSA ainda trabalha sem o licenciamento ambiental definitivo, porque, segundo Inea, não cumpre as cerca de 100 exigências do termo de ajustamento de conduta, assinado com o instituto.
A diretoria da empresa decidiu investigar opções estratégicas em todas as direções: uma parceria ou a venda de duas unidades, a CSA e uma unidade dos Estados Unidos.
As duas unidades fazem parte de um plano integrado de produção, que foi questionado pela própria ThyrssenKrupp. A empresa pretendia produzir aço a preços baixos no Brasil e vender na América do Norte. Mas a crise econômica nos EUA diminuiu a demanda e o crescimento do Brasil, que fez aumentar os custos de produção.
A empresa informou ainda que, por enquanto, o funcionamento da CSA continua normalmente, inclusive com o aumento de produção que estava previsto para esse ano. A entrada de um novo parceiro na usina ou a venda da CSA deve ser concretizada só no final do ano.
Desde a sua inauguração, em 2010, a CSA começou a apresentar os primeiros problemas. O projeto de R$ 12 bilhões tinha um erro na linha de produção, e uma parte de Santa Cruz ficou coberta de fuligem, resultado da produção de ferro gusa. Houve muitas reclamações dos moradores da região por conta da poluição, duas ações do Ministério Público por crimes ambientais e sete autuações do Inea, com milhões de reais em multas. A companhia ainda não tem licença ambiental e nem de instalação definitiva.
Prefeitura e estado não se pronunciamO governo do estado e a prefeitura do Rio não se pronunciaram sobre a possível negociação da fábrica. A companhia Vale do Rio Doce, que tem 27% por cento de participação na CSA, também não se pronunciou.
Quando foi construída, a CSA chegou a empregar 30 mil pessoas. A área que a usina ocupa em Santa Cruz é equivalente a duas vezes os bairros de Ipanema e Leblon juntos e gera 5 mil empregos diretos e indiretos.

Assista o Video : http://globotv.globo.com/rede-globo/rjtv-2a-edicao/v/companhia-siderurgica-do-atlantico-pode-ser-colocada-a-venda/1948828/

VISTORIA NA CSA APROVA EQUIPAMENTOS PARA CONTER EMISSÃO DE POLUENTES



O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, químicos e engenheiros do Inea fizeram, hoje (15/05), uma vistoria técnica às instalações da CSA, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, para avaliar se os dois novos poços de emergência da siderúrgica, que agora funcionam com sistema fechado de exaustão, estão reduzindo em até 95% a emissão da fuligem de prata e dos demais particulados contidos no ferro gusa. O resultado do teste realizado durante a vistoria foi positivo, com a eficiência dos equipamentos comprovada.

Os equipamentos, que levaram 12 meses para ser construídos e custaram R$ 33 milhões para a ThyssemKrupp, introduziram um mecanismo inovador no setor da siderurgia mundial para captar a poeira que antes se dispersava na atmosfera, prejudicando a vida de moradores da vizinhança. O enclausuramento dos poços ou sistema de despoeiramento foi uma das 130 condicionantes determinadas pelo Inea no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que a siderúrgica receba a licença ambiental. Essas condicionantes foram elaboradas a partir de uma auditoria externa, em padrões internacionais.

“Este procedimento já concluído do enclausuramento retirou mais de 90% das emissões de particulados que afetavam o pulmão de moradores e trabalhadores. É experiência única de siderurgia, que está agora sendo visitada por representantes de outras empresas para adotá-lo”, disse o secretário Carlos Minc.

A inspeção teve início nos dois galpões fechados e independentes que substituem os antigos poços de emergência abertos, que provocaram a emissão de poeira poluente – a chamada chuva de prata – que atingiu casas da região. Por causa dos acidentes, a empresa foi multada, em agosto de 2010, em R$ 1,8 milhão; e em janeiro de 2011, além de ser multada em R$ 2,8 milhões, teve que pagar R$ 14 milhões em obras de compensação ambiental, como na construção de um posto de saúde. Em 2011, a CSA teve suas obras de ampliação embargadas até que fossem apresentado projeto técnico de fechamento dos poços de emergência.

O segundo local vistoriado hoje foi o corredor dos altos-fornos, onde o minério de ferro é aquecido a 1.500° C e misturado com carvão vegetal para produzir o gusa, que depois passa por outras etapas para enfim virar aço. Este corredor deve ser fechado até outubro de 2012, de acordo com o TAC. O vento leva os gases utilizados no processo de purificação para as comunidades próximas.

Segundo Marilene Ramos, a visita teve saldo positivo: “Com este equipamento a chuva de prata se torna um problema do passado. De toda forma, continuamos monitorando todas as etapas da produção”, disse a presidente do Inea, destacando que o órgão faz acompanhamento online, com imagens, além do monitoramento da qualidade do ar.

Fonte: INEA

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