sábado, 8 de março de 2014

Acordo entre prefeitura e garis põe fim à greve da categoria

Após negociação, trabalhadores aceitaram proposta de R$ 1.100; chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, disse que limpeza da cidade vai durar de dois a três dias




Os garis, que atualmente ganham R$ 803, pedem salário de R$ 1.200 e outros benefícios
Foto: Fabio Seixo / O Globo


Os garis, que atualmente ganham R$ 803, pedem salário de R$ 1.200 e outros benefíciosFABIO SEIXO / O GLOBO
RIO - Após negociação durante a tarde deste sábado, no Tribunal Regional do Trabalho, a paralisação dos garis chegou ao fim. Os funcionários grevistas e a prefeitura chegaram a um acordo de um salário-base à categoria de R$ 1.100, além do tíquete refeição, que sobe para R$ 20 diários. A proposta inicial, um aumento de 9%, estava no acordo coletivo assinado entre a Comlurb e o sindicato dos garis, mas não foi reconhecido pelos grevistas. A paralisação durou oito dias e teve seu auge durante o carnaval, quando cerca de 300 trabalhadores cruzaram os braços contra o acordo de 9%. O chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, que esteve presente no encontro, disse que a limpeza da cidade vai durar de dois a três dias e que a categoria assumiram o compromisso de voltar ao trabalho imediatamente, reassumindo os posos nas agências da Comlurb.
Eles também iriam pedir a revogação das demissões e exigir que a prefeitura não corte o ponto dos faltosos.
A reunião, que estava marcada para a próxima terça-feira, às 15h, foi antecipada. Os garis, que ganhavam R$ 803, pediam salário de R$ 1.200 e outros benefícios.
A prefeitura já havia feito neste sábado uma proposta de R$ 1.050 para o salário-base para os garis, que fizeram a contraproposta de R$ 1.100. No início do encontro, a prefeitura havia acenado um reajuste salarial para 12%.
Estiveram presentes na reunião o presidente da Comlurb, Vinícius Roriz; o chefe da Casa Civil, Pedro Paulo; o procurador-geral do Município, Fernando Dionísio; , presidente do Sindicato de Empregados de Empresas de Asseio e Conservação, Luciano David Araújo, e o vice-presidente Antônio Carlos da Silva; o presidente do TRT, Carlos Alberto Araújo Drummond; a vice Maria das Graças Cabral Viegas Paranho; e a procuradora regional do Trabalho Débora da Silva Félix.
- Considero que houve um avanço, mas vamos falar agora com os representantes do TRT e da prefeitura - disse Célio Vianna, um dos representantes dos garis em greve, antes do fechamento do acordo.
Os garis gritavam: "o gari acordou!" na Avenida Presidente Antonio Carlos, no Centro do Rio.
Chefe da Casa Civil: proposta foi generosa
O chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, disse que a proposta feita pela prefeitura a garis foi bastante generosa e que ela foi apresentada após a conversa com o prefeito Eduardo Paes, que aceitou a contraproposta da categoria. O chefe da Casa Civil ainda não tem o impacto do reajuste na folha salarial da Comlurb:
- Ainda estamos calculando, mas, para que a cidade volte ao normal, estamos fazendo o que for necessário. A Comlurb é tão importante que nós achamos por bem dar este aumento à categoria. A greve foi um período de aprendizado para todos, inclusive para a prefeitura. Muitas vezes o município fica refém da legislação. Aprendemos que outras comissões que não necessariamente estejam ligadas a sindicatos podem apresentar a sua luta e as suas propostas - disse Pedro Paulo.
Pedro Paulo disse que ainda não se pensou em manifestações e greves em futuros grandes eventos na cidade.
- Não temos bola de cristal mas estamos otimistas. A cidade vai fazer eventos como sempre fez, maravilhosos e sem imundície - concluiu.
De acordo com Pedro Paulo, o reajuste de 12% significava um salário-base de R$ 900. Esta proposta representava um acréscimo de R$ 200 milhões na folha salarial da Comlurb. Ele disse ainda que o reajuste para R$ 1,2 mil, reivindicado pela categoria, causaria um impacto de 70% na folha.
O presidente do TRT, Carlos Alberto Araújo Drummond, havia sugerido aos grevistas a suspensão imediata da greve e propôs uma nova reunião daqui a 20 dias. A preocupação dele era com a ameça de chuvas na cidade.
O encontro chegou a ser suspenso por cerca de dez minutos nesta tarde, para que o chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, conversasse com o presidente da Comlurb, o procurador-geral do município e a procuradora do Trabalho na tentativa de melhorar a proposta que será oferecida aos garis.
O grupo levou um documento pedindo o cancelamento do acordo coletivo firmado entre a prefeitura e o sindicato, além da manutenção do emprego dos 300 trabalhadores demitidos.
- O prefeito diz que o nosso movimento é um motim, mas motim é uma rebelião de presos. Isso aqui é um ato de trabalhadores. A não ser que o prefeito considere que os garis sejam bandidos. Outra reivindicação que fazemos é a melhoria das instalações das nossas gerências, que estão insalubres - diz Viana, ressaltando que a manifestação não tem cunho político.
Antes da reunião, cerca de 300 pessoas, de acordo com a Polícia Militar, participaram de uma manifestação em apoio aos garis que percorreu ruas do Centro do Rio. Além de garis uniformizados, o ato contou com representantes de partidos como PSTU, PCB, PCO e do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ - que, inclusive, discursaram no microfone.

Fonte: O Globo

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