domingo, 20 de maio de 2012

PF investiga ligação entre leilão do Hotel Nacional e Cachoeira

Segundo a ‘Época’, empresário ligado ao contraventor teria sido favorecido



Hotel Nacional, em São Conrado: leilão do imóvel ocorrido em 2009 é investigado pela Polícia Federal
Foto: Marco Antonio Cavalcanti /7-4-2009 / O Globo
Hotel Nacional, em São Conrado: leilão do imóvel ocorrido em 2009 é investigado pela Polícia FederalMarco Antonio Cavalcanti /7-4-2009 / O Globo
RIO - A Polícia Federal investiga um possível favorecimento ao empresário goiano Marcelo Limirio, ligado ao contraventor Carlinhos Cachoeira, durante o leilão do Hotel Nacional, em São Conrado, em dezembro de 2009. Segundo reportagem da revista “Época”, os investigadores trabalham com a hipótese de irregularidades no processo de liquidação da massa falida da Interunion Capitalização, que administrava o imóvel.
Uma das suspeitas é que políticos ligados à Superintendência de Seguros Privados (Susep) teriam alterado o preço e as condições de pagamento para favorecer Limirio — convocado para depor na CPI do Cachoeira. Leiloeiros e advogados que trabalharam na concretização da transação também são suspeitos de desvios de recursos da Interunion Capitalização e até de lavagem de dinheiro.

Preço do hotel foi reduzido em R$ 33,5 milhões

Segundo a revista, a venda do Hotel Nacional só se concretizou quando a Susep autorizou baixar o valor do imóvel de R$ 118,5 milhões para R$ 85 milhões (menos R$ 35,5 milhões) e diminuiu para R$ 21 milhões a quantia a ser paga à vista — antes eram necessários cerca de R$ 100 milhões. Na ocasião, a Susep era dirigida pelo deputado federal Armando Vergílio (PSD/ Goiás), cujo padrinho é o deputado federal Jovair Arantes (PTB/GO), um dos citados pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que deu origem à CPI do Cachoeira.
A PF investiga ainda a contratação dos leiloeiros responsáveis pela venda do imóvel. A “Época” mostra que foram contratados Luiz Fernando Sodré Santoro, suplente do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), e sua mulher. Junto, o casal teria recebido R$ 3,85 milhões.
A contratação do escritório de advocacia Mattos, Rodeguer Neto, Victoria, de São Paulo, por R$ 2,76 milhões também será apurada pela Polícia Federal. Segundo um ex-acionista ouvido pela “Época”, num processo do qual já participavam três escritórios de advocacia, a contratação de um quarto teve como efeito apenas “arruinar o patrimônio alheio”.
Com um patrimônio insuficiente para cumprir suas obrigações, a Interunion, que também administrava o título de capitalização conhecido como PapaTudo, sofreu intervenção em 1998 e, no mesmo ano, o Hotel Nacional foi fechado. Recentemente, a prefeitura do Rio anunciou um plano de recuperação do local, que foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na década de 70. Segundo a prefeitura, a rede Intercontinental será a operadora do novo Nacional.
A Susep abriu sindicância para apurar denúncias de irregularidades na condução da massa falida, incluindo o liquidante responsável, advogados envolvidos e os procedimentos adotados para a realização do leilão do principal bem incluído na liquidação da Interunion. O relatório deverá ser apresentado no prazo de 60 dias, prorrogável por igual período.

Fonte: O Globo

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