quinta-feira, 3 de maio de 2012

Noel Gallagher empolga com novos e velhos sucessos

Músico demonstrou tranquilidade e confiança em primeiro show no país após deixar o Oasis

                                               
                                             



Noel Gallagher durante show em São Paulo Noel Gallagher durante show em São Paulo (AgNews)
“Depois que você faz parte de uma banda como o Oasis, não faz sentido montar outra banda”. Foi com essa frase que Noel Gallagher resumiu, na quarta-feira, em entrevista coletiva, o sentimento de ter de recomeçar ao montar seu novo projeto, o Noel Gallagher’s High Flying Birds, após deixar a banda que o tornou mundialmente famoso ao lado do irmão mais novo, Liam. Mas Noel estava sendo modesto. Se Liam deixou a desejar em sua passagem pelo Brasil em novembro passado com a banda Beady Eye, coube ao irmão Noel matar a sede dos fãs saudosos de Oasis na noite desta quarta, no Espaço das Américas, em São Paulo. De quebra, ele ainda mostrou que suas músicas novas, em carreira solo, soam tão bem ao vivo quanto em estúdio.
LEIA MAIS: Todos os outros vocalistas são ruins, diz Noel Gallagher
Após quase duas décadas de carreira e muitos hits no currículo, poderia ser difícil para Noel ter de começar do zero e sozinho, mas não é isso o que ele mostra no palco. No lugar da instabilidade constante que vivia ao lado do irmão e seu gênio difícil, entrou a tranquilidade. Noel confia no próprio taco. Essa calma também se reflete no repertório escolhido para o show, menos pesado do que os dos shows do Oasis. No último show que o grupo britânico fez no Brasil, em 2009, abriu com a agitada Rock ‘n Roll Star. Na quarta, Noel fez o oposto: elegeu o lado B (It’s Good) To Be Free e seguiu com Mucky Fingers, do disco Don’t Believe the Truth (2005), o penúltimo do grupo.
Os lados B e músicas menos conhecidas, aliás, surgem no show quase como uma provocação ao irmão, que em sua nova empreitada não toca nenhuma música do Oasis. É quase como se Noel dissesse que tudo bem tocar os antigos sucessos, e não precisa nem ser o maior hit da banda. Isso fica explícito quando Noel, em uma de suas poucas interações com o público, avisa aos fãs que não vai tocar a música The Masterplan, pedida em coro insistente pela plateia. “Vocês querem ouvir essa música? Então vão para casa e ouçam no disco”, ironizou.
Embora tenha incluído muitas faixas do Oasis no repertório, o show consiste principalmente na carreira solo de Noel. Enfileiradas em sequência ainda na abertura do show, Everybody’s On the Run, Dream On, If I Had a Gun, The Good Rebel, The Death of You and Me e Freaky Teeth fazem bonito e chegam a parecer uma continuidade do último disco lançado pelo Oasis, Dig Out Your Soul (2008).
Depois de enfileirar seus novos hits, o músico relembrou os tempos de Oasis cantando uma versão acústica de Supersonic. Depois vieram I Wanna Live a Dream (In My Record Machine), o lado B Talk Tonight e Half the World Away, que foram intercaladas com mais algumas faixas de sua carreira solo, como AKA... What a Life!, Soldier Boys & Jesus Freaks, AKA... Broken Arrow e Stranded on the Wrong Beach, tocada antes de Noel deixar o palco.
Ao retornar para o bis, Noel cantou mais uma de sua carreira solo, Let the Lord Shine a Light on Me, antes de se despedir dos fãs com uma sequência matadora de três hits do Oasis: Whatever, Little By Little e Don’t Look Back in Anger, cujo refrão foi cantado somente pelo público. Não sobra dúvida: Com a separação do Oasis, foi Noel quem levou a melhor.
O som, de novo ele - Se a apresentação de Noel não deixou a desejar, o som do Espaço das Américas, mais uma vez, deixou. Assim como no show do cantor Morrissey, a apresentação sofreu com a péssima acústica do local, que às vezes não permitia que os fãs ouvissem a voz de Noel ou as guitarras, especialmente quando se estava mais distante do palco.

Fonte: Veja

Nenhum comentário:

Postar um comentário