Os diálogos são de 11 de janeiro de 2011, dez dias depois da posse de Agnelo. Idalberto Matias Araújo, o Dadá, braço direito do contraventor, conta a Carlinhos Cachoeira que Cláudio Monteiro, então chefe de gabinete do governador, estaria irritado com João Carlos Feitoza, o Zunga – ocupante de cargos de segundo escalão no governo distrital. O motivo: Zunga teria desviado recursos de empresários que doaram para "a campanha". Agora, eles estariam cobrando uma contrapartida, mas foram informados de que o dinheiro havia sumido.
Dadá afirma: "Três empresários que doou para a campanha (...) botou o dinheiro na mão do Zunga, mas o dinheiro não chegou na mão do Cláudio. Aí que é que o cara falou: 'Eu vou juntar vocês e vou chamar quem pegou o dinheiro, quer ver pra fazer essa acareação, porque o dinheiro não foi para a minha mão'". Cachoeira responde, referindo-se a Zunga: "É, mala não tem jeito não, né?"
Além de apontar para a existência de caixa dois, o diálogo revela que os doadores estavam cobrando de Cláudio Monteiro uma contrapartida pelas doações. Dadá diz que os três empresários foram "arrochar o Cláudio, querendo as coisas". A eles, segundo Dadá, Cláudio Monteiro afirmou: "Você vai ser atendido através de quem você entregou o dinheiro".
Em uma segunda conversa, com outro integrante da quadrilha, Dadá afirma que Zunga poderia ter evitado o constrangimento se negociasse com Monteiro "Não precisa disso, né? Cara, se ele assina com o cara... 'ó, Cláudio, o cara tá dando tanto, tem jeito de tirar uma ponta para mim?', o cara vai autorizar, bicho, são tudo amigo, né, cara?". A afirmação foi feita a Lenine Araújo de Souza. O parceiro de Dadá concorda: "Exatamente, porque tirar escondido é feio demais, né, Chico?"
Outro diálogo entre Dadá e Cachoeira revela ainda que, depois de saber das acusações contra Zunga, o chefe da quadrilha se preocupou com o destino de doações intermediadas pelo bando ao grupo de Zunga: "Aqueles que o Lenine passava e o Zunga pegava lá, será que ele entregou?" Dadá responde afirmativamente.
Baixas - Zunga e Monteiro deixaram o governo após o surgimento das primeiras denúncias mostrando a relação deles com o grupo de Cachoeira. Marcelo Lopes, o "Marcelão", também perdeu o cargo de assessor da Casa Militar do governo do Distrito Federal. Ele é outro personagem citado nas conversas do bando.
Zunga e Monteiro não foram encontrados, mas em ocasiões anteriores sempre negaram ter atuado em conluio com a quadrilha. A Secretaria de Comunicação do governo do Distrito Federal alega que o diálogo não diz respeito à campanha do governador Agnelo Queiroz. O porta-voz do governo, Ugo Braga, afirmou ao site de VEJA que Cláudio Monteiro foi candidato a deputado distrital e que o diálogo diz respeito a essa campanha. Monteiro ficou em 98º lugar na disputa pelas 24 vagas na Câmara Legislativa.
Fonte: Veja
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