Integrantes da CPI do Cachoeira que participam da sessão secreta, que desde a
tarde ouve o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa, colocaram
dúvidas quanto à atuação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Os
parlamentares da comissão disseram que o delegado enviou em setembro de 2009 um
pedido para que Gurgel investigasse o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO)
e outros deputados por suspeita de envolvimento com o esquema do contraventor
Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O depoimento de Marques Sousa ainda
está ocorrendo na sala da CPI.
Segundo o delegado, as investigações da Operação Vegas, que apurou o esquema
do contraventor entre 2008 e 2009, foi paralisada no momento em que se depararam
com parlamentares. Eles detém foro privilegiado e, portanto, só podem ser
investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Só que, na ocasião, a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio,
mulher de Gurgel, informou não ter encontrado indícios de envolvimento dos
parlamentares para justificar que se levasse adiante as investigações. Com
atuação destacada na área criminal, Cláudia foi designada por Gurgel para
avaliar os elementos da investigação Vegas.
"Ficou ruim para o Gurgel", admitiu um deputado de oposição, integrante da
CPI, que até o momento dava suporte para que o procurador-geral não fosse
convocado a depor. "As minhas convicções só foram reforçadas", afirmou outro
deputado, da base aliada, referindo-se ao fato de que o procurador-geral teria
sido condescendente com Demóstenes Torres.
A avaliação preliminar é de que, com o depoimento, voltará a ganhar força a
disposição de se ouvir na CPI o procurador-geral. Gurgel só abriu investigação
contra Demóstenes e três deputados federais envolvidos com Cachoeira, Sandes
Junior (PP-GO), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Stephan Nercessian (PPS-RJ),
quando o envolvimento dos quatro se tornou público a partir de escutas
telefônicas divulgadas pela imprensa.
Ou seja, as explicações do Ministério Público para retardar as investigações
contra os parlamentares são consideradas insuficientes pelos integrantes da
comissão. Com isso, não apenas os aliados devem apoiar a vinda de Gurgel à CPI
Fonte: RICARDO BRITO - Agência Estado
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