A Delta Construções usou dos serviços do grupo do contraventor Carlinhos
Cachoeira para monitorar as investigações de superfaturamento em uma das mais
importantes obras da empresa no Estado do Rio de Janeiro: a construção da nova
sede do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo
mostram o araponga Idalberto Matias Araújo, o Dadá, dando informações ao então
diretor da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, sobre processo do Tribunal de
Contas da União (TCU) que apurava sobrepreços e pagamentos em duplicidade na
empreitada.
"Aquele outro negócio que você me pediu está bem adiantado. Aquele instituto
lá do Rio de Janeiro, que estava no TCU, entendeu? E aí o pessoal foi lá e
buscou", diz Dadá, em escuta de 9 de agosto do ano passado. "Ah, entendi. Pois
é. Dá notícia daquilo lá. Aquilo é muito importante da gente saber", responde
Abreu.
O diálogo entre o araponga e o executivo da Delta ocorreu uma semana após a
divulgação das conclusões de uma investigação da Controladoria-Geral da União
(CGU) que apontava pagamentos irregulares na segunda fase da obra.
Segundo o relatório de auditoria anual de contas da CGU (n.º 201108819),
houve um sobrepreço de R$ 23,5 milhões nos valores pagos à Delta. Também foi
constatada uma cobrança em duplicidade avaliada em R$ 3,4 milhões.
Como a segunda fase da obra estava orçada em R$ 63,9 milhões, os valores
pagos irregularmente à construtora - R$ 26,9 milhões - representavam 42% do
total.
Fonte: ALFREDO JUNQUEIRA - Agência Estado
Nenhum comentário:
Postar um comentário