segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Reajuste dos combustíveis coloca mais pressão numa inflação já em alta

RIO – O reajuste de 6,6% na gasolina, mesmo sendo insuficiente para cobrir a defasagem em relação ao preço internacional, vai, sem dúvida, pressionar a inflação neste início do ano. A alta vem num momento em que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 12 meses, já roda acima dos 6%, bem maior que o centro da meta de inflação do governo, de 4,5%. Mas há um amortecedor importante: a redução da tarifa de energia elétrica. Assim, a alta nas bombas pode ser compensada pela conta de luz mais barata.
— A redução da energia elétrica vai mais do que compensar a alta da gasolina. O impacto na inflação do reajuste da gasolina é de 0,24 ponto percentual. Já o da energia elétrica é de -0,7 ponto percentual — disse Eduardo Velho, economista da Planner, acrescentando que, contudo, permanecem as pressões nos serviços.
— Uma mão lava a outra — resumiu André Guilherme Perfeito, economista da Gradual Investimentos. — Não se pode negar que o ano começou com pressões significativas: alimentação segue em alta, assim como as despesas pessoais. Tudo isso já cria um início de ano bastante confuso para o Banco Central.
A prévia da inflação já dá sinais de aceleração. O IPCA-15 sai de 0,69% em dezembro para 0,88% em janeiro.
— Em janeiro, minha expectativa é de um IPCA de 0,70%. Em fevereiro, desaceleraria para 0,45%. O aumento da gasolina não vai trazer um descontrole inflacionário, mas um repique sem grandes estragos. Não é um movimento que fará o BC subir juros, por exemplo. Até porque acredito que o BC deve usar os preços administrados para segurar a inflação — comentou Velho.
Segundo Perfeito, o nível mais fraco da atividade pode contribuir para conter a inflação nos próximos meses.
— O governo deveria pensar nesse cenário de desaceleração como oportunidade. Não é preciso reagir com desespero com medidas mexendo em juros ou dólar. A hora é de esperar — disse Perfeito.
De olho na inflação, o governo se empenha em postergar reajustes de preços administrados, pedindo a prefeitos e governadores que adiem para o segundo trimestre a alta das tarifas dos transportes urbanos, dizem os especialistas.

Fonte: O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário